terça-feira, agosto 01, 2006

Mozart


2006 marca os 250 anos de nascimento de Wolfgang Amadeus Mozart. Os eventos espalham-se por toda a Europa

Johannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart nasceu a 27 de Janeiro de 1756 em Salzburg e é considerado um dos mais brilhantes compositores de todos os tempos, tendo assinado dezenas de peças, entre sinfonias, sonatas para violino e cravo bem como várias óperas entre as quais "A Boda de Fígaro", a "Flauta Mágica", "Don Giovanni" ou "O rapto do Serralho".

Mozart morreu aos 35 anos, na madrugada de 05 de Dezembro de 1791, e o seu cadáver foi enterrado numa vala comum no pequeno cemitério de Sankt Marx, nos arredores de Viena.

segunda-feira, julho 31, 2006

Tempo de Férias

Image: Alex Krivtsov

Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...

Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.

Assim tem sido sempre a minha vida, e
Assim quero que possa ser sempre
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.

Alberto Caeiro

domingo, julho 30, 2006

(essa)Qana, Israel?!!!


Na mesma manhã em que a aviação israelita atingiu um prédio de três andares em Canaã, no Líbano, fazendo pelo menos 51 mortos, entre os quais 22 crianças, o primeiro-ministro libanês recusou-se a participar em quaisquer negociações até que seja alcançado um cessar-fogo com Israel.

É óbvio, não… Israel?!!!!!

Cores de Verão


“O sol contém todas as cores …Se nos perguntarem: “que significam as palavras vermelho, azul, preto, branco?”, podemos, bem entendido, mostrar imediatamente coisas que têm essas cores. Mas a nossa capacidade de explicar o significado dessas palavras não vai além disso”

Ludwig Wittgenstein

sábado, julho 29, 2006

Talvez

Image: M & I Garmash


Vivo dentro de uma concha
já não sei sequer quem sou
se existo realmente
se outrora alguém me amou
possivelmente não sou real
existo apenas na minha imaginação
ando perdida no mundo
desgastada pela imensidão...
serão os meus sonhos reais?

Talvez sim ou não
enquanto me procuro
na vastidão do meu pensamento
vou respirando fundo
tentando encontrar fundamento
nesta vida sem alento
num pensamento profundo

SF

sexta-feira, julho 28, 2006

Confidencias

Image: Victor Melo

Não procures a verdade no que sabes
Nem destino procures nos teus gestos
Tudo quanto acontece é solitário
Fora de saber fora das leis
Dentro de mim um ritmo cego inumerável
Onde nunca foi dito nenhum nome

Sophia de Mello Breyner

quinta-feira, julho 27, 2006

(sim senhor) Ministro


O Ministro da Cultura do governo do Brasil, Gilberto Gil, deu um concerto na passada Terça-feira no Salão Preto e Prata do Casino Estoril. O consagrado músico brasileiro apresentou o seu mais recente tema “Balé de Berlim”, juntamente com outros registos inesquecíveis da sua carreira artistica para além de comentários políticos muito a propósito da actualidade internacional. – Gostei.

quarta-feira, julho 26, 2006

Momentos

Image: Ben Heys

Esta angustia não esperada
Muito menos planeada
Invade-me uma vontade indisfarçável de me mascarar
De gargalhar, de disfarçar e meu cérebro enganar.
Sim, assumir sub-repticiamente uma expressão alegre e seduza o pensamento
E o meu corpo sinta. Sinta e eu finja.
E dissimule… consiga ultrapassar a dor desta angústia que teima e quer ficar

terça-feira, julho 25, 2006

Cânticos

Image: Mary Stebbins

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
Sou poeta.
Irmão das coisas fugidias
Não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno e asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

Cecília Meireles

segunda-feira, julho 24, 2006

Caloust Gulbenkian


CALOUSTE SARKIS GULBENKIAN, fundador da Fundação Gulbenkian foi, no seu tempo um investidor na área do petróleo, onde ficou conhecido como o senhor "cinco por cento". A sua paixão pelas artes, levou-o a juntar uma colecção única no mundo que se encontra reunida no Museu Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Chegou a Lisboa em plena II Guerra Mundial, onde acabou por se instalar até à sua morte, em 1955. Filantropo, deixou parte da sua fortuna à Fundação com o seu nome, cuja missão, estabelece objectivos caritativos, artísticos, educativos e científicos.

domingo, julho 23, 2006

ai Israel, Israel...

Image: Incursão militar de Israel no Líbano

De ti que inventaste
a paz
a ternura
e a paixão
o beijo
o beijo fundo intenso e louco
e deixaste lá para trás
a côncava do medo
à hora entre cão e lobo
à hora entra lobo e cão.

De ti que em cada ano
cada dia cada mês
não paraste de acender
uma e outra vez
a flor eléctrica
do mais desvairado
coração.

De ti que fugiste à estepe
e obrigaste
à ordem dos caminhos
o pastor
a cabra e o boi
e do fundo do tempo
me chamaste teu irmão.

De ti que ergueste a casa
sobre estacas
e partiste
deuses e linguagens
guerras
e paisagens sem alento.

De ti que domaste
o cavalo e os neutrões
e conquistaste
o lírico tropel
das aguas e do vento.

De ti que traçaste
a régua e esquadro
uma abóbada inquieta
semeada de nuvens e tritões
santidades e tormentos.

De ti que levaste
a volúpia da ambição
a trepar erecta
contra as leis do firmamento.

De ti que deixaste um dia
que o teu corpo se cansasse
desta terra de amargura e alegria
e se espalhasse aos quatro cantos
diluído lentamente
no mais palácio
silente
e negro breu.

De ti
meu irmão
ainda oiço
o grito que deixaste
encerrado
em cada pétala do céu
cada pedra
cada flor.

O grito de revolta
que largaste à solta
e que ficou para sempre
em cada grão de areia
a ressoar
como um pálido rumor.

O grito que não cansa
de implorar
por amor
e mais amor
e mais amor.

José Fanha


sábado, julho 22, 2006

Nunca é tarde

Image: Andreas Heumann

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas a noites que nos precederam
Era a noite mais clara daquelas que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!

Ary dos Santos

sexta-feira, julho 21, 2006

Sonhos de Sempre

Image: Roman Pyatkovka

O que é bonito neste mundo, e anima,

É ver que na vindima

De cada sonho

Fica a cepa a sonhar outra aventura...

E que a doçura

Que se não prova

Se transfigura

Numa doçura

Muito mais pura

E muito mais nova...

(Miguel Torga)


quinta-feira, julho 20, 2006

Parabéns

Image: Mary Stebbins

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Alexandre O'Neill
Dedico este poema à mulher da minha vida, Tucha Farinho.

quarta-feira, julho 19, 2006

Maternal

Image: Haleh Bryan

Não me apetece dormir
Apetece-me escrever
Mas as horas passam
Com os minutos a correr

Já não sei o que escrever
Alguma coisa há-de sair
Escrevo pequenas palavras
Até o sono estiver a cair

O “João-pestana” já lá vem
Devagar e de mansinho
As minhas crianças já dormem
Um abençoado soninho

Durmam bem meus bebés
Que amanhã é outro dia
Vou acordar de manhã
E tratar de vocês com alegria

Agora vou dormir também
Um soninho descansado
O “João-pestana” já chegou
E de sono vem carregado

SF

terça-feira, julho 18, 2006

Ute Lemper


Apresenta-se com regularidade nos principais palcos europeus e efectua digressões anuais na Austrália, no Japão e na América do Sul. Vive em Nova Iorque, como os seus dois filhos.

quarta-feira, julho 12, 2006

Manuel Maria Carrilho


"É sempre muito adiante que se sabe o que ficou para trás."

terça-feira, julho 11, 2006

Pedro Santana Lopes


Um ano e meio depois de perder as eleições legislativas, o ex-primeiro-ministro Pedro Santana Lopes voltou recentemente ao Parlamento como deputado do PSD, garantindo que regressa para "ajudar" e não para incomodar.

domingo, julho 09, 2006

Eclipse lunar


Sem remédio

Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.

E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!

Sinto os passos de Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!

Florbela Espanca

sábado, julho 08, 2006

Olhares cibernéticos


Neste mundo…

O mundo da comunicação cibernética
… real!
A “realidade virtual”
Onde não há fonética.

Arranjei um amigo!
Dirão alguns.
Uma amiga!!”, dirão outros.
É a virtude… Na sua intrínseca virtualidade...
Bem real…, mas virtual.

Renovação dos tempos…
... Não haver comunicação igual
Futuro que entra por nós dentro
O deste mundo… “real”.

… Mas eu pergunto:
Se foi acrescento o que nos trouxe o evento
Ao Mundo Social?
… Já que é real!

Ao Mundo onde nem há pão nem razão…
Ao Mundo real.

Como serão a mudança de tempos
Quando esse Mundo… passe a virtual?!
O Mundo real, fatal.

… Não tenho respostas
Ninguém me diz nada!

… “Nós somos a resposta!!”.

… Nada.

Que comunicação desigual…
Essas
As que são reais
As desnaturais
As ilegais e até as virtuais
Essa
A que não recebe resposta... mas que é real.






NOTA:
Impõe-se que se faça uma referência de apreço aos Autores: “UM LIVRO DE SONHOS”, "RAQUEL" e “EMOÇÕES” que se publicam neste espaço virtual, mas real.

Blogers, que me proporcionam excelentes momentos de reflexão
A sua riqueza literária;
A majestosa mensagem de humanidade que encerram.

sexta-feira, julho 07, 2006

Magica Sedução


Image: Gregor Samsa
A magia da noite...
Noite de Luar... sem lua,
Na rua
Sem noite

Na tua magia…
A troca…
Por ambos partilhada
Sem troca... mais nada

Encontras-te ali...
Tal com eu
Na Lua
A mesma noite de Luar...
Sem rua

quinta-feira, julho 06, 2006

Fulgor

Image: Elena Shumaeva

Ó grande plenitude!

E a tudo
a tudo alheio,
saboreio.

Absorto
sorvo
este cacho de uvas
tão maduras…

Este cacho de curvas que é o teu corpo


David Mourão Ferreira

quarta-feira, julho 05, 2006

Rosto


Se a Selecção Nacional, representada pelo seu líder, Scolari, o grande general, jogar no próximo Sábado é suficiente para se candidatar ao "pódio";

Se ganhar hoje, é muito bom;

Se ganhar a Copa 2006, no próximo Domingo, será excelente.

terça-feira, julho 04, 2006

Vinicius de Moraes



De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei-de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

segunda-feira, julho 03, 2006

Pablo Neruda


Acontece
Bateram à minha porta em 6 de agosto,
aí não havia ninguém
e ninguém entrou,
sentou-se numa cadeira
e transcorreu comigo, ninguém.
Nunca me esquecerei daquela ausência
que entrava como Pedro por sua causa
e me satisfazia com o não ser,
com um vazio aberto a tudo.
Ninguém me interrogou sem dizer nada
e contestei sem ver e sem falar.
Que entrevista espaçosa e especial!

domingo, julho 02, 2006

"Il Ritorno"




"Tudo que eu entendo,
entendo apenas por causa do que eu amo".

Leon Tolstoi

sábado, julho 01, 2006

Ricardo, Muito Obrigado


Inglaterra 1
Portugal 3

Fénix


Ontem passei o serão em casa do RURU e da SU.

Amigos que me recebem sempre com alegria e satisfação.

Obrigado por isso.

Praia


Praia, hoje?!

Ainda bem que o tempo está propicio a uma tarde de futebol internacional.

É só esperar… e ver pela televisão.

Freitas do Amaral


“A «extrema-direita legal» na América, que acompanhou Bush na Administração, é composta por «nacionalistas exacerbados» que advogam que os EUA não têm a obrigação de respeitar o direito internacional: «O mesmo pensavam e faziam o fascismo italiano e o nazismo alemão», escreve Freitas do Amaral no prefácio do seu livro Do 11 de Setembro à Crise do Iraque, publicado em 2002."

sexta-feira, junho 30, 2006

Grande Amália



Foi por vontade de Deus
que eu vivo nesta ansiedade.
Que todos os ais são meus,
Que é toda a minha saudade.
Foi por vontade de Deus.
Que estranha forma de vida
tem este meu coração:
vive de forma perdida;
Quem lhe daria o condão?
Que estranha forma de vida.
Coração independente,
coração que não comando:
vive perdido entre a gente,
teimosamente sangrando,
coração independente.
Eu não te acompanho mais:
para, deixa de bater.
Se não sabes onde vais,
porque teimas em correr,
eu não te acompanho mais.
(Alfredo Duarte)

quinta-feira, junho 29, 2006

George W. Bush


"Aquele que vive de combater um inimigo tem interesse em o deixar com vida."

Friedrich Nietzsche

quarta-feira, junho 28, 2006

Cocaína

Image: Ilya LiS

Só o vício me traz

Cabisbaixa me faz

Reduz-me a pequenina

Quando não tenho à mão

A forte cocaína.

Quando junto de mim

Ingerida em porção

Sinto só sensação

Alivia-me as dores

Neste meu coração.

Ai, ai és a gota orvalina

Só tu és minha vida

Só tu ó cocaína.

Ai, ai mas que amor purpurina

É o vício arrogante

De tomar cocaína.

Sinto tal comoção

Que não sei explicar

A minha sensação

Louca chego a ficar

Quando a sinto faltar.

Esse sal ruidoso

Que a mim só traz gozo

Somente de olhar

E para esquecer

Eu começo a beber.

Quando estou cabisbaixa

Chorando sentida

Meio entristecida

É que o vício da vida

Torna a alma perdida.

Louca hás de voltar

Vendo-me estrangular

Para o vício afogar

Neste toque fugaz

Que me há de findar.

(cantado por Eugénia Mello e Castro)

terça-feira, junho 27, 2006

Lady Di


“Em 1987, quando muitos acreditavam que a SIDA poderia ser contraída através do toque, a Princesa Diana sentou-se numa cama onde se deitava um doente e segurou na sua mão. Ela mostrou assim ao mundo que as pessoas com SIDA não mereciam o isolamento, mas sim compaixão. Isso ajudou a mudar a opinião do mundo, ajudou as pessoas com SIDA, e também ajudou a salvar as pessoas em risco.”

(presidente americano Bill Clinton – 2001)

segunda-feira, junho 26, 2006

Existencialismo ateu


"Quando concebemos um Deus criador, esse Deus identificamos quase sempre como um artífice superior; e qualquer que seja a doutrina que consideremos, trate-se duma doutrina como a de Descartes ou a de Leibniz, admitimos sempre que a vontade segue mais ou menos a inteligência ou pelo menos a acompanha, e que Deus, quando cria, sabe perfeitamente o que cria.

Assim, o conceito do homem, no espírito de Deus, é assimilável ao conceito de um corta-papel no espírito do industrial; e Deus produz o homem segundo técnicas e uma concepção, exactamente como o artífice fabrica um corta-papel segundo uma definição e uma técnica. Assim, o homem individual realiza um certo conceito que está na inteligência divina.

No século XVIII, para o ateísmo dos filósofos, suprime-se a noção de Deus, mas não a ideia de que a essência precede a existência. Tal ideia encontramo-la nós um pouco em todo o lado: encontramo-la em Diderot, em Voltaire e até mesmo num Kant. O homem possui uma natureza humana; esta natureza, que é o conceito humano, encontra-se em todos os homens, o que significa que cada homem é um exemplo particular de um conceito universal - o homem; para Kant resulta de universalidade que o homem da selva, o homem primitivo, como o burguês, estão adstritos à mesma definição e possuem as mesmas qualidades de base. Assim, pois, ainda aí, a essência do homem precede essa existência histórica que encontramos na natureza. (...)

O existencialismo ateu, que eu represento, é mais coerente. Declara ele que, se Deus não existe, há pelo menos um ser no qual a existência precede a essência, um ser que existe antes de poder ser definido por qualquer conceito, e que este ser é o homem ou, como diz Heidegger, a realidade humana.

Que significará aqui o dizer-se que a existência precede a essência? Significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define. O homem, tal como o concebe o existencialista, se não é definível, é porque primeiramente não é nada. Só depois será alguma coisa e tal como a si próprio se fizer. Assim, não há natureza humana, visto que não há Deus para a conceber.

O homem é, não apenas como ele se concebe, mas como ele quer que seja, como ele se concebe depois da existência, como ele se deseja após este impulso para a existência; o homem não é mais que o que ele faz. Tal é o primeiro princípio do existencialismo. É também a isso que se chama a subjectividade, e o que nos censuram sob este mesmo nome. Mas que queremos dizer nós com isso, senão que o homem tem uma dignidade maior do que uma pedra ou uma mesa? Porque o que nós queremos dizer é que o homem primeiro existe, ou seja, que o homem, antes de mais nada, é o que se lança para um futuro, e o que é consciente de se projectar no futuro. (...)

Mas se verdadeiramente a existência precede a essência, o homem é responsável por aquilo que é. Assim, o primeiro esforço do existencialismo é o de pôr todo homem no domínio do que ele é e de lhe atribuir a total responsabilidade da sua existência. E, quando dizemos que o homem é responsável por si próprio, não queremos dizer que o homem é responsável pela sua restrita individualidade, mas que é responsável por todos os homens."

Jean-Paul Sartre

domingo, junho 25, 2006

E vão onze…

Scolari, o grande general, acaba de conquistar a sua décima primeira vitória em Mundiais. - Gilberto Madail teve “olhinhos” quando, contra tudo e todos, o contratou.

A Selecção Portuguesa conquista assim a quarta vitória nesta Copa 2006 ao jogar com a Holanda e ter obtido o resultado de 1 a 0, sendo Maniche o titular.

Ao grande Ricardo, o guardião da baliza portuguesa, só me apetece dar-lhe beijinhos pela testa acima.

Se o levarem fico triste


Ricardo, o único jogador que está na Alemanha em representação do Sporting, vê a cotação subir, devido às boas exibições realizadas nos três jogos já disputados até ao momento diante de Angola, Irão e México.
Nesta altura, o guarda-redes tem clubes interessados no mercado inglês e espanhol, segundo refere o empresário do atleta, Nuno Baptista, que não se alonga, no entanto, sobre o assunto.
“É com naturalidade que vários clubes estão a observar as prestações do Ricardo. Não é de agora que isso acontece e os clubes continuam atentos”, afirma para, posteriormente, admitir que os principais interessados são “de Espanha e Inglaterra”.


Extraído de www.record.pt

Bella Argentina

A Selecção Argentina soma e segue na Copa 2006

sábado, junho 24, 2006

Esbanjamentos

A União Europeia gasta anualmente aos contribuintes 200 milhões de euros para transportar todos os meses, da sede do Parlamento Europeu de Bruxelas para a outra sede em Estrasburgo, toda a documentação necessária ao seguimento dos trabalhos. – Transporte, que é efectuado em dez camiões TIR.
Para ajudar à festa o aparelho administrativo de apoio, que tem sede em Luxemburgo, é também transferido.

Bruxelas é onde se realizam os plenários preparatórios e Estrasburgo é onde se realiza mensalmente o plenário final.

Tudo isto porque, entre outras idiotices, a França não abdica de continuar a acolher pelo menos um dos principais órgãos da UE.

Perante esta constatação apenas me ocorre dizer:
Não dá para compreender uma coisa assim. - Assim não devemos ir longe… Ai não devemos, não…!

sexta-feira, junho 23, 2006

Heróis de sempre


Aristides Sousa Mendes recusou seguir as ordens do seu governo (o regime de Salazar) e concedeu vistos a refugiados de todas as nacionalidades que desejavam fugir da França em 1940, ano da invasão da França pela Alemanha Nazi na Segunda Guerra Mundial. Aristides salvou dezenas de milhares de pessoas do Holocausto. Cerca de 30 000 vistos foram emitidos pelo cônsul Sousa Mendes, dos quais 10 000 a refugiados de confissão judaica.


Aristides de Sousa Mendes que viveu entre 19 de Julho de 1885 e 3 de Abril de 1954 foi um diplomata português. Nasceu em Cabanas de Viriato, no distrito de Viseu. Oriundo de família aristocrática católica, conservadora e monárquica, instala-se em Lisboa em 1907 após a Licenciatura em Direito pela Universidade de Coimbra. Opta então pela carreira diplomática ocupando assim cargos inerentes em diversas delegações consulares portuguesas pelo mundo fora: Zanzibar, Brasil, Estados Unidos da América.

Em 1929 é nomeado Cônsul Geral em Antuérpia, cargo que ocupa até 1938. O seu empenho na promoção da imagem de Portugal não passa despercebido. É condecorado por duas vezes por Leopoldo III, rei da Bélgica, tendo-o feito oficial da Ordem de Leopoldo e comendador da Ordem da Coroa, a mais alta condecoração belga. Depois de cerca de10 anos de serviço na Bélgica, Salazar, presidente do Conselho e ministro dos negócios estrangeiros, nomeia Sousa Mendes cônsul em Bordéus, França.

Quando a Segunda Guerra Mundial teve início e as tropas de Hitler avançaram sobre a França, Aristides de Sousa Mendes era ainda cônsul de Bordéus. Embora Salazar tenha declarado neutralidade de Portugal, ordenou aos cônsules portugueses espalhados pelo mundo que recusassem passar vistos de entrada em Portugal a "estrangeiros de nacionalidade indefinida, contestada ou em litígio; os apátridas; os Judeus, quer tenham sido expulsos do seu país de origem ou do país de onde são cidadãos".

Em 1940 muitos dos refugiados que fogem do avanço Nazi afluem ao consulado português desejando obter um viso de entrada em Portugal. É em Junho desse ano que Aristides decide entregar visto a todos os refugiados que o solicitem: "A partir de agora, eu darei vistos a toda a gente, já não há nacionalidades, raça ou religião".

Sousa Mendes guiou com a sua viatura uma coluna de veículos de refugiados em direcção à fronteira com a França. O feito impressionou de tal forma os guardas aduaneiros que acabaram por deixar passar todos os refugiados que desse modo continuaram a sua viagem com destino a Portugal.

Confrontado com os primeiros avisos de Lisboa, ele terá dito: "se há que desobedecer, prefiro que o seja a uma ordem dos homens do que a uma ordem de Deus".

Salazar tomou então medidas contra o cônsul Aristides o qual continuou a sua actividade de 20 a 23 de Junho em Bayonne, no escritório de um vice-cônsul estupefacto, e mesmo na presença de dois outros funcionários de Salazar. A 22 de Junho de 1940, a França pediu um armistício à Alemanha Nazi. Mesmo a caminho de Hendaye, Aristides continua a emitir visos para os refugiados que cruzam com ele a caminho da fronteira, uma vez que a 23 de Junho, Salazar demitira-o de suas funções de cônsul.

A 8 de Julho de 1940, Aristides encontra-se regressado a Portugal. Será punido pelo governo de Salazar: ele priva Sousa Mendes, pai de uma família numerosa, do seu emprego diplomático por um ano, diminui em metade o seu salário, antes de o enviar para a reforma. Para além disso, Sousa Mendes perde o direito de exercer a profissão de advogado. A sua licença de condução, emitida no estrangeiro, é-lhe retirada.

O cônsul demitido e sua família sobrevivem graças à solidariedade da comunidade judaica de Lisboa, que facilitou a alguns dos seus filhos os estudos nos Estados Unidos. Dois dos seus filhos participaram no Desembarque da Normandia.

Ele frequentou, juntamente com os seus familiares a cantina da assistência judaica internacional, onde fez impressão pelas suas ricas vestimentas e sua presença. Certo dia, teve de confirmar: "Nós também, nós somos refugiados".

Em 1945, Salazar felicitou-se por Portugal ter ajudados os refugiados, recusou-se no entanto a reintegrar Sousa Mendes no corpo diplomático.

A sua miséria será ainda maior: venda dos bens, morte de sua esposa em 1948, emigração dos seus filhos, com uma excepção.

Aristides de Sousa Mendes faleceu muito pobre a 3 de Abril de 1954 no hospital dos franciscanos em Lisboa. Não possuindo um fato próprio, foi enterrado numa túnica de franciscanos.”

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

quinta-feira, junho 22, 2006

Imaginação e Criatividade


Câncer
21 de Junho a 21 de Julho

quarta-feira, junho 21, 2006

Prestígio

Portugal – México

Os homens de Scolari fecharam a primeira fase do campeonato mundial de futebol 2006 só com vitórias. – 3 Jogos, 3 Vitórias o que correspondeu a 9 pontos, ficando assim a Selecção de Portugal colocada no primeiro lugar do grupo D.

Infelizmente razões inadiáveis que se prendem com a minha profissão não me permitiram ver o jogo. Enfim… Não sou deputado da nação…!

Não vi mas fiquei a saber por aquilo que ouvi, que o jogo se saldou por um resultado de 2 a 1 a favor da Selecção Portuguesa e que a sua exibição, que não foi no seu todo um primor, acabou por nos presentear uma vitória confortável e prestigiante.

À equipa portuguesa e à elevada qualidade técnica de Scolari, o grande general, um forte aplauso.

O documento


"Escuta, Zé Ninguém!" não é um documento científico mas humano
(Trecho do livro de Wilhelm Reich com o título Escuta, Zé Ninguém)

"… Os teus libertadores garantem-te que os teus opressores se chamam Guilherme, Nicolau, papa Gregório XXVIII, Morgan, Krupp e Ford. E que os teus libertadores se chamam Mussolini, Napoleão, Hitler e Stalin.
Mas eu afirmo: Só tu podes libertar-te."

"Esta frase faz-me, porém, vacilar. Intitulo-me paladino da pureza e da verdade, mas agora que se trata de te dizer a verdade, hesito, temendo a tua atitude em relação à verdade. A verdade é um perigo para a vida quando é a ti que diz respeito.

A verdade é a salvação mas não há população que não se lance sobre ela para a espoliar, de outro modo não serias o que és nem estarias onde estás.

Intelectualmente, sei que devo dizer a verdade a todo o custo. Mas o Zé Ninguém que se alberga em Mim adverte-me: estúpido, exporas-te, entregaras-te, ao Zé Ninguém. O Zé Ninguém não está interessado em ouvir a verdade acerca de si próprio. Não deseja assumir a grande responsabilidade que lhe cabe, quer queira quer não. Quer permanecer o que é ou, quando muito, tornar-se num desses grandes homens medíocres – ser rico, chefe de um partido, da Associação dos Veteranos de Guerra ou secretário da Sociedade de Promoção da Moral Pública. Mas assumir a responsabilidade do seu trabalho, alimentação, alojamento, Transportes, educação, investigação, administração pública, exploração mineira, isso nunca.

E o Zé Ninguém que se aloja dentro de mim acrescenta: «És agora um grande homem, conhecido na Alemanha, Áustria, Escandinávia, Inglaterra, América, Palestina. Os comunistas atacam-te. Os ‘defensores dos valores culturais’ odeiam-te. Os teus alunos estimam-te. Os doentes que curaste admiram-te. Os que sofrem da peste emocional perseguem-te. Escreveste 12 livros e 150 artigos sobre as misérias da existência, sobre o sofrimento do homem comum. As tuas ideias são ensinadas nas Universidades; outros grandes homens igualmente solitários confirmam o teu prestígio e põem-te entre os maiores intelectos da história da ciência. Fizeste uma das maiores descobertas científicas desde há muitos séculos, a da energia cósmica da vida e suas leis. Tornaste o cancro um fenómeno compreensível. Por tudo isto, andaste de pais em pais por dizeres a verdade. Descansa agora. Goza os frutos do teu êxito, do teu prestígio. Em poucos anos o teu nome será conhecido por todos. O que fizeste já basta. Recolhe-te agora ao repouso, ao estudo da lei funcional da natureza».

Esta é a conversa do Zé Ninguém dentro de mim e que te teme a ti, Zé Ninguém."

terça-feira, junho 20, 2006

"é preciso que alguma coisa mude..."

Image: Paul Dzik

O texto que a seguir publico foi-me remetido por E-mail por um amigo, faz lembrar daqueles E-mail que trazem um aviso para que o mesmo seja enviado para mais dez pessoas senão ficamos sujeitos a que nos aconteça o diabo. – Apenas me faz lembrar, dizia eu, porque apesar deste texto não trazer o tal aviso, quando chegou a mim já tinha passado por cento e setenta e três pessoas o que não deixa de ser significativo. O texto é pobre do ponto de vista literário, no entanto há algo nele que move as pessoas à sua divulgação.

A mim apenas a vontade de gritar…

“Pois claro!

Vamos apoiar a Selecção dos cromos da bola! Vamos apoiar a Galp que nos vende a gasolina como se tivesse comprado o petróleo a 80 dollars quando o comprou a 45! Vamos apoiar a Galp que precisa de pagar aos seus 17 administradores ordenados de 20.000EUR/mês fora o presidente que ganha 75.000/mês! Vamos apoiar os "heróis" que ganham mais quando dão um pontapé na bola do que qualquer um de nós a trabalhar no duro um ano inteiro! Como nenhum dos dez estádios que foram construídos para o outro campeonato da bola servia para os treinos dos rapazes, vamos apoiar a inauguração, hoje mesmo, de mais um, o do Lusitano de Évora, construído de propósito para Suas Excelências treinarem durante quinze dias!!!!!!!!!!!!

Vamos apoiar a negociata dos terrenos do antigo campo Estrela que vai ser urbanizado apesar de no PDM ser zona desportiva! Como precisam de descansar vamos apoiar o facto de estarem instalados em quartos individuais no hotel Convento do Espinheiro (5estrelas-luxo) a 50contos/dia cada um!

Como podemos apoiar?

É simples!

Inscrevemo-nos no cordão humano; recebemos mail promocionais da Galp Todas as semanas; pagamos os combustíveis mais caros da Europa e depois a Galp dá-nos uns pontos que trocamos por prémios da treta, mais caros que na Loja dos Chineses! E vamos ficar todos felizes! Durante dois ou três meses só se vai falar Na Selecção do Scolari, enquanto a Selecção do Sócrates vai inventando Maneiras de nos fazer pagar tudo isto e mais o que falta pagar do Euro2004. E depois das férias, lá para Setembro, antes que alguém repare que a gasolina já está a mais de 2EUR e o gasóleo a 1,5EUR, começa logo outro campeonato da bola para nos dar motivo de conversa e alimentar o Orgulho Nacional!!! E já agora, por favor, não se esqueçam de começar desde já a engalanar Todo o País com a Bandeira dos Pagodes (antigas Quinas) que os operários chineses, coitados, também merecem ganhar a vidinha.........

VIVA A SELECÇÃO!!!!!!!!!”

segunda-feira, junho 19, 2006

Aquém de tempo

Image: Stanmarek

Um pouco mais de sol - e fora brasa,

Um pouco mais de azul - e fora além.

Para atingir, faltou-me um golpe de asa...

Se ao menos eu permanecesse aquém...

Mário de Sá-Carneiro
(poeta português)

domingo, junho 18, 2006

Boa, Brasil

Poesias

Image: Joachim

Não te importas com os homens que dormem comigo;

mas morres de ciúme

dos versos que faço pra eles...



Leila Míccolis
(poetisa brasileira)


sábado, junho 17, 2006

Grande Partida


Portugal - Irão

No segundo jogo de Portugal no Mundial 2006, a equipe liderada por Scolari jogou com segurança e com ataque satisfatório na primeira parte da partida. Primeira parte que se saldou por um resultado de zero a zero, embora tivesse ocorrido muitas jogadas com oportunidade, para Portugal, de chegar ao golo. Nos últimos 15 minutos, os portugueses, permitiram incursões muito perigosas por parte da equipe adversaria, o que significou um aviso sério para a equipe portuguesa. Portugal tentou tudo… Pelos lados... Pelo meio... - Portugal esteve a jogar em todos os campos na primeira parte do jogo.

A segunda parte foi muito bem jogado por Portugal, roçou a excelência. - Lindos golos de Portugal, o de Deco (O Mágico), aos 63 minutos e o de Ronaldo (O Habilidoso), por pênalti, ao minuto 80.

Ricardo, como sempre, demonstrou a sua supremacia. – Só mesmo Scolari, o grande general, para realçar o mérito desse profissional.

Parabéns PORTUGAL pelo belíssimo resultado obtido de 2 a 0.

Norma Jeane Mortensen

sexta-feira, junho 16, 2006

Silêncios iníquos


Noite dos Cristais

No dia 9 de Novembro de 1938, agentes nazistas à paisana assassinaram 91 judeus, incendiaram 267 sinagogas, saquearam e destruíram lojas e empresas da comunidade e iniciaram o confinamento de 25 mil judeus em campos de concentração.


A noite dos cristais quebrados marcou o início do Holocausto, que causou a morte de seis milhões de judeus na Europa até o final da II Guerra Mundial.
A Noite dos Cristais (Kristallnacht ou Reichspogromnacht), de 9 para 10 de Novembro de 1938, em toda a Alemanha e Áustria, foi marcada pela destruição de símbolos judaicos. Sinagogas, casas comerciais, casas de judeus foram invadidas e seus pertences destruídos.

Série de proibições aos judeus

Milhares foram torturados, mortos ou deportados para campos de concentração. A razão apresentada pelos nazistas para esta perseguição foi o assassinato do diplomata alemão Ernst von Rath, em Paris, pelo jovem Herschel Grynszpan, de 17 anos, dois dias antes.
A perseguição nazista à comunidade judaica alemã já havia começado em Abril de 1933, com a convocação aos cidadãos de boicotarem estabelecimentos judeus. Mais tarde, foram proibidos de frequentar estabelecimentos públicos, inclusive hospitais.
No Outono europeu de 1935, a perseguição aos judeus, considerados "inimigos" dos alemães, atingiu outro ponto alto com a chamada "Legislação Racista de Nuremberga". Como o resto do mundo parecesse não levar o genocídio a sério, Hitler via confirmada a sua política de limpeza étnica.

Trajectória para o holocausto já havia sido aberta

O anti-semitismo lentamente avançava sobre a sociedade. Uma lei de 15 de Novembro de 1935 havia proibido os casamentos de judeus com alemães, as relações extraconjugais entre alemães e judeus, que alemães fizessem serviços domésticos para famílias judaicas e que um judeu hasteasse a bandeira nazista.
Ainda em 1938, as crianças judaicas foram expulsas das escolas e foi decretada a expropriação compulsória de todas as lojas, indústrias e estabelecimentos comerciais dos judeus. Em 1º de Janeiro de 1939, foi adicionado obrigatoriamente aos documentos de judeus o nome Israel para homens e Sarah para mulheres.
A proporção da brutalidade da Noite dos Cristais havia superado as expectativas. O próprio Hermann Göring, chefe da SA (Tropa de Assalto), lamentou as grandes perdas materiais daquele 9 de Novembro de 1938, para acrescentar: "Preferia que tivessem assassinado 200 judeus, em vez de destruir tantos objectos de valor!"

Extraído do site DW-WORLD. DE DEUSTSCHE WELLE