sábado, setembro 02, 2006

Cosmologia III

Conclusão

Paul Davies termina sua obra Deus e a nova física observando que “Muito do que foi apresentado confirmará a opinião de que a ciência se opõe implacavelmente à religião. Seria estulto negar que muitas das ideias religiosas tradicionais sobre Deus, o homem e a natureza do universo, foram varridas pela nova física (...) A nova física tem alterado tantas noções do senso comum quanto ao espaço, ao tempo e à matéria que nenhum pensador religioso o pode ignorar (...) É minha convicção profunda de que só pela compreensão do mundo em todos os múltiplos aspectos - reducionista e holista, matemático e poético, através de forças, campos e partículas, bem como através do bem e do mal - viremos a entender-nos a nós próprios e a captar o sentido por detrás do universo, a nossa casa” .

Einstein num texto escrito em Setembro de 1937 diz o seguinte: “O nosso tempo é marcado por maravilhosas conquistas nos campos da compreensão científica e da aplicação técnica destas percepções. Quem não se sentiria animado com isto? Mas não nos esqueçamos de que o conhecimento e as habilidades sozinhos não podem levar a humanidade a uma vida feliz e digna. A humanidade tem todas as razões para colocar os proclamadores de altos padrões e valores morais acima dos descobridores da verdade objectiva. O que a humanidade deve a personalidades como Buda, Moisés e Jesus está, para mim, acima de todas as conquistas da mente inquiridora e construtiva. O que esses homens abençoados nos deram devemos guardar e tentar manter vivo, com todas as nossas forças, para que a humanidade não perca sua dignidade, a segurança de sua existência e sua alegria de viver

In www.airtonjo.com/cosmologia03.htm

sexta-feira, setembro 01, 2006

Cosmologia II


Como conseguiu o universo a sua organização?

Ora “um estado inicial caótico pode evoluir para um mais ordenado, desde que haja uma reserva de entropia negativa”. Em tempo, lembra-se que entropia é uma quantidade matemática inventada pelos físicos para quantificar a desordem; logo, a entropia negativa, gerada pela expansão do universo, explica como “a presente organização é compatível com um universo que começou acidentalmente num estado aleatório”.

Por que o universo tem as coisas e leis que tem?

A respeito destas duas questões, a resposta vem de uma teoria matemática que abrange toda a física numa única super lei. Assim, a física pode explicar o conteúdo, a origem e a organização do universo físico, mas não as leis (ou a super lei) da própria física. Tudo o que é necessário são as leis. O universo pode tomar conta de si próprio, mesmo da sua criação. Mas as leis têm de estar ali para começar, de modo que o universo possa vir à existência.

Tradicionalmente Deus é creditado como o inventor das leis da natureza e como criador das coisas (espaço-tempo, átomos, pessoas etc.) sobre as quais estas leis actuam.

Seria Deus um matemático? Já que não se pode conhecer as coisas deste mundo sem conhecer a matemática... A matemática é a poesia da lógica. A lógica é o único ramo da matemática que pode “pensar acerca de si”. Assim, toda a natureza poderia ser deduzida de uma inferência lógica, mais do que de provas empíricas. O universo poderia então constituir-se de uma consequência inevitável da necessidade lógica.

“Os cientistas têm cada vez mais consciência da ligação entre os processos físicos e a computação, e lhes parece produtivo pensar o mundo em termos de informática”, onde o universo seria o hardware e as leis matemáticas seriam o software.

Surge então a ideia de uma mente universal, existindo como parte do universo físico. Um Deus natural em vez de sobrenatural. Este “fazer parte” não significa ter uma “localização espacial”, como as nossas mentes também não a têm. Nem significa ser feito de átomos, do mesmo modo que as nossas mentes não o são, diferente do cérebro. O cérebro é o meio de expressão da mente humana. Analogamente o universo físico seria o meio de expressão da mente de um Deus natural. Neste contexto, Deus é o conceito holista supremo, talvez muitos níveis de descrição acima do da mente humana.
In www.airtonjo.com/cosmologia03.htm

quinta-feira, agosto 31, 2006

John Lennon

"Amo a liberdade, por isso... Deixo as coisas que amo livres ...Se elas voltarem é porque as conquistei, ...Se não voltarem é porque nunca as possuí."

quarta-feira, agosto 30, 2006

PRAGA DE GAFANHOTOS DOS NOSSOS DIAS


O número de queixas de clonagem de cartões Multibanco registadas desde a semana passada no Cartaxo, Santarém, e na Benedita, Alcobaça, subiu ontem para 248.

A propósito destes assaltos que estão a ser infligidos à estrutura financeira de Portugal, que é como quem diz, à alta finança privada portuguesa, ocorreu-me a seguinte ideia…



“È pah!... Mas kéisto?!!!!
… Está-se mesmo a ver que se avizinha aí uma praga de “gafanhotos” por todo o país.
Não, que nos levem as hortaliças; mas que é mais ou menos a mesma coisa… É!”



ESPANTOSO!!!

terça-feira, agosto 29, 2006

segunda-feira, agosto 28, 2006

Mulher

Image: Ilya Lis

"A entrega é a via mais rápida para o orgasmo feminino.
Tudo acontece quando deixamos de lado o controle e nos entregamos ao momento..."

(Micheline Félix)


domingo, agosto 27, 2006

Procurando

Image: Isabel Filipe

Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) da vida,
Mas a poesia (inexplicável) da vida.

Carlos Drummond de Andrade


sábado, agosto 26, 2006

democracia musculada


Estranhei, e muito, a substituição compulsiva, recente, da Presidência da Câmara de Setúbal.

O “pedido” foi apresentado pelo Partido que apoiava aquele corpo dirigente autárquico em nome da renovação a qual foi designada por “novas energias”.

Eu estranhei, sim!
Os “proprietários” dos mandatos, dirigidos pelos autarcas eleitos, são indirectamente também os eleitores!

O que eu não consigo perceber é que aquela filiação possa sofrer, numa atmosfera legal, tamanha metamorfose, e passe de um momento para o outro a subordinar-se exclusivamente à Direcção do Partido que propiciou a eleição do respectivo dirigente autárquico.


Alguma coisa está mal!

- Ou é a atitude partidária, que tratou, aparentemente, este assunto como se de um acto corrente de gestão empresarial se tratasse;

- Ou é a lei que poderá estar elaborada de forma a dar cobertura ao evento e a convertê-lo num tão grande absurdo.

sexta-feira, agosto 25, 2006

Muito Obrigado

O Blogger.com está de parabéns pelo seu sétimo aniversário.

Pela minha parte quero agradecer pelo que me propicia que é o livre direito universal de expressão.

Agustina Bessa Luis


“quando a MULHER AMA, ADORA, quando o homem ama, despreza”

quinta-feira, agosto 24, 2006

Sistema Solar


Será que hoje Plutão é desclassificado e o sistema solar fica com 8 planetas?

A informação foi avançada ontem à agência espanhola Efe pelo porta-voz do observatório nacional de astronomia do Japão e membro do «Comité da IAU para a definição de um Planeta», Junachi Watanabe.

«O Sistema solar terá oito planetas e pelo menos dois planetas anões», assegurou Junachi Watanabe, embora sem adiantar qual será a definição de planeta, a ser votada hoje pela Assembleia-geral da IAU, que decorre em Praga até sexta-feira.

Junachi Watanabe explicou que a IAU, o árbitro da nomenclatura espacial desde a sua fundação em 1919, afastou a proposta mais discutida até agora, a de adoptar uma definição que mantivesse Plutão como planeta.

Este projecto obrigaria a aumentar o sistema solar para 12 planetas, uma vez que teriam que ser acrescentados pelo menos mais três: Ceres, Caronte e o corpo UB-313, ainda sem nome oficial, embora designado Xena pelo seu descobridor, Mike Brown.

Assim, de acordo com a nova proposta, Ceres continuará a ser um asteróide, Caronte um satélite de Plutão, enquanto que Xena passará também a «planeta anão».

in Lusa

quarta-feira, agosto 23, 2006

Regras sim, mas não para todos


«A Amnistia Internacional acusa Israel de crimes de guerra, afirmando que o país quebrou leis internacionais ao destruir deliberadamente infra-estruturas civis durante a sua ofensiva contra o Hezbollah.»

Pablo Neruda

Image: Isabel Filipe

"(...)

Com tua frente a minha frente,

com tua boca em minha boca,

atados nossos corpo

são amor que nos queima,

deixa que o vento passe

sem que possa me levar.

Deixa que o vento corra

coroado de espuma,

que me chame e me busque

galopandanto eu, emergido

debaixo teus grandes olhos,

por somente esta noite

descansarei, amor meu."


terça-feira, agosto 22, 2006

Cosmologia I

Image: Dekaro

Qual é a origem do universo?

Duas propostas se apresentam: a de um universo infinito e a de um universo criado. Ou o universo sempre existiu, não teve origem no tempo e, portanto, tem uma idade infinita, ou o universo teve um começo em determinado momento e, portanto, há um acontecimento primordial que deve ser investigado.


Hoje a maioria dos cosmólogos sustenta a ideia de que entre 12 e 15 biliões de anos atrás o universo surgiu de uma tremenda explosão, que foi baptizada de big-bang.


Há inúmeras provas que atestam esta teoria. A segunda lei da termodinâmica estabelece que dia após dia o universo se torna mais desorganizado, caminhando irreversivelmente para o caos. Os cientistas concluíram que o universo caminha para um equilíbrio termodinâmico, quando as temperaturas se nivelam e o universo entra num estado de “morte térmica” ou desordem molecular máxima. “O fato do universo ainda não ter morrido (...) implica que ele não pode ter existido por toda a eternidade”.


Além disso, na década de 20, o astrónomo americano Edwin Hubble descobriu que o universo está em expansão, pois as galáxias estão-se a afastar umas das outras em alta velocidade e de modo uniforme em toda a parte, já que é o espaço entre elas que se está dilatando.


E na década de 60, acidentalmente, os físicos Penzias e Wilson descobriram uma radiação que banha todo o universo e que veio a confirmar-se como a radiação cósmica do big-bang, o calor restante das enormes temperaturas geradas pela explosão inicial, quando o universo estava todo comprimido em dimensões mínimas.


Não é correcto, porém, pensar o estado primordial do universo como um ponto altamente comprimido num determinado lugar e época. Não existe um onde nem um quando, pois tanto o espaço quanto o tempo surgem do próprio big-bang. “O primeiro instante do big-bang, quando o espaço estava infinitamente contraído, representa um limite ou extremidade no tempo em que o espaço cessa de existir. Os físicos chamam a esse limite uma singularidade (...) Nem o espaço nem o tempo se podem estender para lá da singularidade inicial”.


Mas o que provocou o big-bang? Antes do século XX tanto cientistas quanto teólogos supunham que a matéria não podia ser criada por meios naturais. Muitos cientistas falavam num universo eterno, o que evitava o problema da criação da matéria, enquanto os teólogos se apegavam aos relatos bíblicos da criação, nos quais se lia que todo o universo fora feito por Deus a partir do nada (embora não seja exactamente isto o que diz Gn 1,1-2,4a, onde o ato criador consiste parcialmente na organização do caos!).


Contudo, “a crença em que a matéria não se pode criar por meios naturais sofreu um rombo dramático durante os anos trinta, quando, pela primeira vez, se produziu matéria em laboratório”. São três os passos desta história:


· Com a famosa equação de 1905, E=mc2 (energia = massa multiplicada pelo quadrado da velocidade da luz), Einstein mostrou que a matéria é energia trancada a sete chaves: “Se, se encontra uma forma de a abrir, então a matéria desaparece numa explosão de energia [como as terríveis bombas atómicas]. Inversamente, se, se concentrar uma quantidade suficiente de energia, aparecerá matéria”.


· Nos anos 30, Paul Dirac, tentando conciliar a teoria da relatividade de Einstein com a teoria quântica, prevê o positrão. Estudando o estranho comportamento dos electrões [que, digamos assim, têm que girar duas vezes sobre si mesmos para apresentar a mesma face...], Dirac predisse que, se, se concentrasse energia suficiente, novas partículas com carga positiva, uma espécie de anti electrões, apareceriam.


· Em 1933, Carl Anderson estudando a absorção de raios cósmicos por folhas de metal, detectou, pela primeira vez, o positrão. Depois da Segunda Guerra Mundial, com a construção dos aceleradores de partículas, centenas de outros tipos de partículas sub atómicas foram produzidas e hoje são comummente armazenadas em recipientes magnéticos.


Aplicado ao cosmos, isto, em princípio, excluiria a necessidade de um ser sobrenatural para a criação da matéria no big-bang, mas ainda resta o problema do espaço e do tempo.


E antes de procurarmos uma causa externa para a origem do universo, vale a pena conferirmos o conceito de causação retroactiva, elaborado por John Wheeler. Partindo das conclusões da mecânica quântica, quando esta diz que a realidade só se concretiza através de actos de observação, Wheeler afirma que “a física gera a participação do observador; a participação do observador gera a informação; a informação gera a física”, numa espécie de circuito fechado auto excitante que permite atenuar a relação de precedência da causa sobre o efeito.


Em síntese, quanto à origem das coisas físicas, sabe-se que os objectos, como estrelas e planetas, formaram-se a partir dos gases primordiais e o material cósmico foi criado no big-bang. Estas descobertas são possíveis pela compreensão da origem do espaço-tempo, explicada pela teoria quântica, que sugere que a matéria pode ser criada e destruída no espaço vazio espontaneamente e sem causa. Assim o espaço-tempo também pode ter sido criado espontaneamente e sem causa alguma. Neste cenário notável, todo o cosmos se limita a surgir do nada completamente, de acordo com as leis da física quântica, e cria pelo caminho toda a matéria e energia necessárias para construir o universo visível.


In www.airtonjo.com/cosmologia03.htm


segunda-feira, agosto 21, 2006

Mil desculpas


Em nome de um passado
que eu não quis;
em nome de um futuro
que eu escolhi;
em nome de um pecado
que eu não fiz;
em nome de uma dor
com que feri;
em nome de um amor
que eu nunca vi;
em nome do que dei
e ninguém quis;
em nome da justiça
que eu não tive;
em nome de uma vida
que eu parti,
um só perdão não chega
eu peço mil.

ROSA TEIXEIRA BASTOS
Site: Dave's Pics

domingo, agosto 20, 2006

Velhice recusada

Image: Andrzej Dragan

"Quem possui a faculdade de ver a beleza, não envelhece"


Franz Kafka


sábado, agosto 19, 2006

Onomatopeia da Ciência

“Já tem as 31 temperaturas?
Agora escolha a máxima e a mínima e ordene sequencialmente as restantes da mínima para a máxima.”

Site: “MariaVaiComAsOutras”

* * * * *

A ciência e os cientistas comunicam-se profissionalmente por um código fonético muito próprio, um código de riqueza e de conhecimento científico. Essa linguagem que chega traduzida ao meu entendimento, traduz-se, também ela própria, para uma linguagem perfeitamente acessível. A onomatopeia com que a autora descreve o texto, faz-me pensar que um ambiente laboral de laboratório de ciência não deve ser muito diferente dos sons agudos e impercebíveis que sobressaem da equação matematica que sobre a química o texto me proporciona. Daí ter-me surgido o título que associo a este post.

sexta-feira, agosto 18, 2006

Ventos de Mudança

«As taxas de aprovação do primeiro-ministro, Ehud Olmert, e do ministro da Defesa, Amir Peretz, atingiram o ponto mais baixo, segundo três sondagens ontem publicadas. (...) Ninguém ganhou a guerra, dizem 66 por cento dos inquiridos, enquanto 53 são da opinião que Israel não deveria ter aceite o cessar-fogo da ONU antes de vencer claramente. (...) Mas quem verdadeiramente está debaixo de fogo é o general Halutz, desde que o Ma"ariv revelou, na terça-feira, que a primeira coisa que ele fez, a 12 de Julho, após o rapto dos dois soldados pelo Hezbollah, foi mandar o seu banco vender a sua carteira de acções. "Halutz tem de sair", escrevem o Ha"artez em editorial e a colunista Ariana Melamed no Yediot Ahronot. Por razões morais e pela incapacidade na condução da guerra. »

(extraído do jornal Público 17.08.2006)

quinta-feira, agosto 17, 2006

Caricaturas de um regime

“Marcelo Caetano faria hoje 100 anos

Assinala-se esta quinta-feira o centenário do nascimento de Marcelo Caetano, uma das figuras que marcou a história do século XX português, último líder do Estado Novo.
Marcelo Caetano ficará para sempre ligado ao Estado Novo e ao 25 de Abril.

Jornalista, historiador e eminente professor de Direito, nas décadas de 40 e 50 foi comissário nacional da Mocidade Portuguesa, ministro das Colónias, ministro da Presidência e presidente da Câmara Corporativa.

Entrou por diversas vezes em divergência aberta com Salazar, chegando a prometer que não regressaria à vida política activa. Acabou, no entanto - a contra gosto, diz-se, por aceitar a chefia do Governo quando o Presidente Américo Tomaz o nomeou.

Caetano tomou posse em 1968, ainda com Salazar incapacitado. À frente do Governo, Marcelo Caetano procurou renovar o regime, ainda que de forma insuficiente. A história foi mais rápida do que a sua vontade e o desenvolvimento da guerra colonial aumentou o descontentamento entre os portugueses.

Após o 25 de Abril, exilou-se no Brasil, onde acabaria por morrer a 26 de Outubro de 1980, no Rio de Janeiro.”

In Diário Digital

Reciprocidade

Image: Jacek Bonek
“Não passes o tempo com alguém que não esteja disposto a passá-lo contigo.”

Gabriel Garcia Marquez