terça-feira, junho 06, 2006

Até sempre, Raul Indipwo


Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner
(poetisa portuguesa)

segunda-feira, junho 05, 2006

domingo, junho 04, 2006

Sintonias

Image: Mike Brock Schmidt


Em Órbita
Com você
quero todas as intimidades
de um amor escandalosamente carnudo,
sobretudo imperfeito,
que seja capaz de fazer
eles morderem a boca de despeito
e nós lambermos os beiços de prazer.
Com você
quero um amor que não precisem devassar
porque é claro e transparente;
daí ameaçar a tanta gente pesada,
que não sabe flutuar
nem libertar-se da seriedade.
Com você
quero um amor tão à vontade
que muito mais leve que o ar
possa desafiar a lei da gravidade...

Leila Míccolis
(poetisa brasileira)

sábado, junho 03, 2006

"porque hoje é Sábado"

Hoje estive com a família e amigos chegados numa sardinhada.

…sardinhada, carapausada, salada, cervejada, etc. Foi uma fartura, no quintal dos meus Cunhados.

Pena que a minha Cunhada não pôde estar presente por razões profissionais, de resto foi um dia muito bem passado junto da minha querida mulher dos meus filhos, sogro, sobrinhos, sobrinhas, cunhado e amigos. Amigos que, como dizia meu avô, devemos ter como os livros: “poucos mas escolhidos”.

Muito obrigado a todos.

sexta-feira, junho 02, 2006

Intolerâncias Radicais - 2/4


“Ao dar início à sua política expansionista, Hitler previu a guerra desde o início. Com a invasão da Polónia, em Setembro de 1939, deflagrou um conflito mundial que se estendeu até 1945.

Hitler não se contentou em anexar a Áustria e os Sudetos (em Março e Setembro de 1938, respectivamente). Com a intenção de dominar a Europa, previu a guerra desde o início. Depois de desmembrar a Checoslováquia, ordenou a invasão da Polónia, em 1º de Setembro de 1939. O Reino Unido e a França declararam guerra à Alemanha dois dias depois, cumprindo o acordo de defesa da Polónia. Deflagrara-se, assim, a Segunda Guerra Mundial, que se estendeu até 1945 e devastou grande parte da Europa.
Estaline, que recusava uma aliança com a França e o Reino Unido, assinara um pacto de não-agressão com a Alemanha em 23 de Agosto de 1939. Hitler fez um jogo militar ousado com seus adversários. Sabendo que a vantagem alemã no armamento não se manteria por muito tempo e que somente uma rápida sequência de campanhas militares poderia evitar um fracasso semelhante ao da Primeira Guerra Mundial, criou o conceito do blitzkrieg. Danzig (Gdansk), a Prússia Ocidental e algumas regiões que sempre pertenceram à Polónia foram anexadas ao Deutsches Reich, após a capitulação daquele país em final de Setembro. Os judeus poloneses foram amontoados em guetos, como o de Varsóvia.

Depois da Polónia, a França - Super estimando o poderio militar alemão nesse momento, o Reino Unido e a França permaneceram na defensiva. Como os adversários não reconhecessem suas anexações no Leste, Hitler iniciou uma campanha em 10 de Maio de 1940, invadindo a França depois de ferir a neutralidade da Holanda, Bélgica e Luxemburgo. Paris foi ocupada pelas tropas alemãs em 14 de Junho de 1940.
Embora Winston Churchill propusesse uma união entre o Reino Unido e a França e o prosseguimento da resistência francesa a partir do norte da África, a maioria do gabinete francês decidiu-se por um armistício. Este foi assinado em 22 de Junho pelo marechal Philippe Pétain, que dias depois transferiu seu governo para Vichy, no sul da França. Seu regime cooperou com o nazismo. O general Charles de Gaulle, que se refugiara em Londres, anunciou a continuidade da resistência.
Países e regiões ocupados foram colocados sob comando militar alemão; Luxemburgo e a Alsácia Lorena, anexados. Ao mesmo tempo, falharam tentativas alemãs de preparar um desembarque na Grã-Bretanha e de enfraquecer o adversário através de uma ofensiva aérea. Nesse meio tempo, os Estados Unidos passaram a apoiar cada vez mais o Reino Unido.

África, Balcãs e Grécia - No final de 1940, o exército britânico iniciou uma ofensiva contra as forças italianas no norte da África. Hitler atendeu a um pedido de Mussolini, enviando uma esquadra à Sicília e, em Fevereiro de 1941, uma divisão à Líbia integrando o Afrika-Korps, sob o comando do marechal Erwin Rommel.
Após o fracasso do ataque italiano à Grécia, iniciado em 28 de Outubro de 1940, Hitler preparou uma ofensiva de apoio, procurando incluir a Hungria, Roménia, Bulgária e os países dos Balcãs na Tríplice Aliança, o pacto estabelecido com a Itália e o Japão em 27 de Setembro de 1940. As tropas alemãs esbarraram em resistência na Jugoslávia e, depois de tomar Belgrado em 17 de Abril de 1941, venceram o Exército grego e entraram em Atenas dez dias depois.
Os preparativos para a campanha contra a União Soviética haviam sido iniciados em Julho de 1940. Até meados de 1941, mais de três milhões de soldados alemães haviam avançado na região entre o Mar Báltico e o Mar Negro, bem como na Finlândia. Além de objectivos militares, Hitler queria aplicar seu programa racial. Convicto da superioridade da raça ariana, ele ordenou a partir de 1941 a aniquilação da liderança comunista, o extermínio sistemático dos judeus e a dizimação da população eslava. Um plano geral para o Leste, elaborado pela cúpula da SS, previa a expulsão e o traslado de milhões de eslavos e uma paulatina germanização da Europa Oriental.
O governo soviético não ultimou grandes preparativos de guerra, apesar das advertências. Estaline não acreditava que Hitler atacasse a Rússia antes de encerrar a campanha na frente ocidental. Em vão, Estaline tentou entender-se com Hitler, a fim de ganhar tempo para armar o Exército Vermelho e mobilizar de 10 a 12 milhões de reservistas.

A expansão da guerra - Em 22 de Junho de 1941, a Alemanha e seus aliados europeus atacaram a União Soviética. Hitler pensava debilitar o Exército Vermelho em pouco tempo e depois transferir a maior parte dos tanques para as campanhas seguintes. A combatividade do Exército Vermelho e sua superioridade numérica levaram o ataque alemão rumo a Moscovo ao fracasso. A contra-ofensiva soviética no duro Inverno de 1941/42 causou muitas baixas ao Exército alemão. Hitler, que ordenara "não se perder uma polegada" de solo conquistado e uma "resistência fanática", assumiu pessoalmente o comando militar.
O ataque à União Soviética levou à formação da "coalizão anti-Hitler", que até então fracassara pelo conflito de interesses. Em 12 de Julho de 1941, o Reino Unido e a União Soviética assinaram um tratado de ajuda mútua. No mês seguinte, um ataque conjunto dos dois países ao Irão abriu caminho para o envio de material de apoio logístico à União Soviética.
O agravamento do conflito entre os Estados Unidos e o Japão fez com que os combates se voltassem também para o Ocidente. Depois que os japoneses ocuparam o sul da Indochina, Roosevelt determinou um embargo de petróleo, que afectou profundamente a economia japonesa. Em 1º de Dezembro de 1941, o Japão declarou guerra aos Estados Unidos e ao Reino Unido e, em 7 de Dezembro, atacou Pearl Harbor. Estabeleceram-se assim as frentes de guerra: o eixo Berlim-Roma-Tóquio contra a coalizão anti-Hitler. O Japão e a União Soviética, contudo, mantiveram o acordo de neutralidade assinado em Abril de 1941.”

Extraído do site DW-WORLD. DE DEUSTSCHE WELLE

quinta-feira, junho 01, 2006

Criança


Eu

sou

do

tamanho

do

que

escrevo


Fernando Pessoa

“futuro escritor e poeta aos 14 anos de idade”
(Extraído da Revista EGOISTA de Dezembro de 2004)

quarta-feira, maio 31, 2006

Palavras nunca ditas

Image: Fernando Penim Redondo


Palavras tão belas pensei
Enquanto dormir tentava
Fui buscar papel e caneta
E quando tentei escrever
A palavra teimava
Em não aparecer
Que pena gravado não as ter
Na memória do pensamento
Aquelas palavras
Tão belas
Que pensei naquele momento

SF

terça-feira, maio 30, 2006

Intolerâncias Radicais -1/4

“Logo após assumir o poder, em Janeiro de 1933, Adolf Hitler começou a montar um sistema ditatorial caracterizado pela repressão a todos que não lhe fossem convenientes, pela perseguição aos judeus motivada por uma ideologia anti-semita e pela expansão militar e territorial.

A partir de 1930 o movimento nazista de Adolf Hitler adquiriu importância, aproveitando-se do descontentamento popular com as crises económica e política. O Partido Nacional-Socialista (NSDAP) era antidemocrático, anti-semita e de um nacionalismo exaltado. Com uma pregação pseudo-revolucionária, tornou-se a maior força política em 1932. Com a demissão de Franz von Papen, o último chanceler da República de Weimar, o presidente Hindenburg chamou Hitler para constituir o novo governo.
Nomeado chanceler do Reich em 30 de Janeiro de 1933, Hitler, que considerava o cargo apenas um passo para a tomada do poder absoluto, começou imediatamente a montar um sistema ditatorial. Desfez-se rapidamente dos aliados que permitiram sua ascensão, reservando-se plenos poderes. Através de uma lei aprovada pelos partidos burgueses, proibiu todos os agrupamentos políticos, com excepção do seu NSDAP. O Partido Social Democrata e o Partido Comunista foram dissolvidos e os demais, forçados à auto dissolução.
O incêndio do prédio do Reichstag (parlamento), em 27 de Fevereiro de 1933, logo atribuído aos comunistas, serviu de pretexto para a aprovação de leis que revogaram os direitos fundamentais, puseram fim à liberdade de imprensa e desmantelaram os sindicatos, principal esteio dos movimentos sociais contrários ao nacional-socialismo.

Repressão e anti-semitismo - Bildunterschrift: A partir de então, não havia instância policial ou estatal capaz de conter os distúrbios e agressões das SA, as temidas milícias paramilitares do Partido Nacional-Socialista. O esquadrão comandado por Heinrich Himmler, a SS (Schutzstaffel), começou a sedimentar sua posição especial no aparato repressivo. Qualquer tentativa de resistência era brutalmente sufocada. O regime perseguia impiedosamente não só adversários políticos - a começar por comunistas e social-democratas -, como todas as pessoas que não eram do seu agrado. Milhares foram presas e, sem qualquer processo judicial, internadas em campos de concentração construídos da noite para o dia.
Mal tomara o poder, o regime começou a pôr em prática seu programa anti-semita. Passo a passo, os judeus foram despojados de seus direitos individuais e civis, proibidos de exercer a profissão e de frequentar certos locais, expulsos de universidades, agredidos, forçados a entregar ou vender empresas e propriedades. Quem podia, tentava fugir para o exterior para se pôr a salvo das espoliações, injustiças e vexações.
A perseguição política e a ausência de liberdade de expressão e informação levaram milhares de pessoas a abandonar o país. A emigração forçada de inúmeros intelectuais, artistas e cientistas de renome representou uma perda irreparável para a vida cultural da Alemanha.
Militarização e recuperação económica - Bildunterschrift: Com a morte do marechal Paul Hindenburg em 1934, Hitler acumulou também a função de presidente. Sua política militarista tomava forma e as forças armadas passaram a prestar-lhe juramento como Führer (líder ou guia). Em 1935, foram declaradas extintas as restrições militares do Tratado de Versalhes, introduzindo-se o serviço militar geral e obrigatório, com o que se restabeleceu a soberania militar do Reich.
A frágil República de Weimar (de 1919 a 1932) não durou o suficiente para que o sistema liberal-democrático estabelecesse raízes profundas na sociedade alemã. O caos durante esse período deixou muitos alemães propensos à aceitação da ditadura nacional-socialista. Os violentos conflitos internos, manifestos em sangrentas batalhas de rua entre adversários políticos e o desemprego em massa haviam abalado a confiança do povo no poder do Estado. Hitler, porém, conseguiu dinamizar novamente a economia. Seu regime impôs uma combinação extremada de capitalismo e socialismo estatal, em que tanto os proprietários de grandes empresas como os operários se subordinavam ao controle do Estado e ao poder público totalitário. Dois planos quadrienais, iniciados em 1936, davam à economia um aspecto de guerra, com destaque para a produção de sintéticos. Programas de geração de empregos e a produção de armas levaram à diminuição do exército de desempregados. O fim da crise económica mundial favoreceu tal política. Os judeus foram sendo excluídos da vida económica, tendo seus bens confiscados em Novembro de 1938.

Política externa - No âmbito da política externa, Hitler também conseguiu impor seus objectivos, inicialmente. A pouca resistência encontrada foi fortalecendo a sua posição. Em 1935, a região do Sarre, até então sob a administração da Liga das Nações, foi reintegrada no território nacional. Em 1936, as tropas alemãs invadiram a Renânia, zona desmilitarizada desde 1919. A assinatura de um pacto com o Reino Unido, em 1935, permitiu o rearmamento naval da Alemanha até 35% do poderio britânico. Desmoronava, assim, todo o esquema de contenção da Alemanha, armado pelos franceses desde o fim da Primeira Guerra Mundial.
A guerra civil espanhola, iniciada em 1936, motivou um confronto entre esquerda e direita. Enquanto o governo republicano foi apoiado pela União Soviética, os rebeldes franquistas tiveram ajuda da Itália e da Alemanha. Os dois países aliaram-se em Outubro do mesmo ano, no eixo Roma-Berlim. Japão e Alemanha, por outro lado, haviam se unido no Pacto Anti-Komintern. Com a adesão da Itália a Este, em 1937, configurava-se a Tríplice Aliança, que se manteria até a Segunda Guerra.
O avanço para a formação do Terceiro Reich prosseguiu: em 1938, a Áustria foi anexada (Anschluss), com o que Hitler cumpriu o que fixara como um de seus primeiros objectivos no livro Mein Kampf (Minha Luta). As potências ocidentais permitiram que ele incorporasse ainda a região dos Sudetos, na Checoslováquia, em 1939, ano em que começou a Segunda Guerra Mundial.”

Extraído do site DW-WORLD. DE DEUSTSCHE WELLE

segunda-feira, maio 29, 2006

Bioesfera

Energia Renovável.
Regular ou Controlar?

ENERGIA NUCLEAR EM PORTUGAL???
NÃO, NÃO E NÃO!!!

domingo, maio 28, 2006

A sul dos sentidos

--------Image: judi
Como se fosse uma tempestade

Quando a água debaixo do chuveiro
A resgatou do seu aturdimento
De olhos fechados imagina
Milhares de gotas apressadas
A salpicar-lhe o manto da infância
Como se fosse uma tempestade
De algum longínquo veraneio.

Na estancia a que os conduziu
Os descaminhos da noite
Pede “seca-me os cabelos”
Como lhe faziam em menina.

Depois vai à janela e encara
De frente um céu assombrado:
Estas horas passarão num ápice
Chegará o dia e o adeus
E só ficará a ausência.

O frio roça-lhe a pele húmida.

José Agustin Goytisolo
(poeta espanhol)

sábado, maio 27, 2006

Perversidades


Criança que estás a sofrer
Grita. Faz-te ouvir
Não deixes que alguém
Te faça chorar ou cair

Teus sonhos
Estragados estão
Entraram no teu ser
Magoaram teu coração

Pobre criança
Só e indefesa
Sonhos perdidos
Vives na tristeza

Quebraram a magia
Própria. A tua inocência
Magoaram-te profundamente
Para própria conveniência

Não vivas calada
Querida criança
Grita aos sete ventos
Aguarda pela esperança

Quem foi o monstro?

Maltratou o teu coração
Quebrou a magia
Perdes-te a alegria
Não merece perdão

Quem foi o monstro?

Matou teus sonhos
Atirou-te à solidão

Mas segue em frente
Criança
Cicatriza teu coração

Não há monstro no Mundo
Que mereça a tua tristeza
Abre teus lábios num sorriso
Não há melhor no Universo
Essa riqueza
A alegria de te ver sorrir.

SF

sexta-feira, maio 26, 2006

Erotismos



Segredo

Nem o tempo tem tempo
Para sondar as trevas
Deste rio correndo
Entre a pele e a pele
Nem o Tempo tem tempo
Nem as trevas dão tréguas
Não descubro o segredo
Que o teu corpo segrega.

David Mourão Ferreira
(escritor português)

quinta-feira, maio 25, 2006

IN EXTREMIS


Droga

Estás só…
Estás só e perdido
Vives desiludido
Pelo êxtase…
Que a droga te proporciona
Mas ficaste agarrado
E agora vives pedrado
Não vives sem ela,
Não consegues sair dela.

És como um cão vadio
Toda a gente te escorraça
Andas sozinho pela praça
Com os braços picados
Os lábios selados.

Agora vives só…
A noite cai lentamente
Só. Ouves a solidão
A vida passa-te pela frente
Já quase não sentes o coração.

O frio gela-te os ossos,
Ninguém te dá a mão;
Entras em agonia
Já não ouves a melodia
Que entrava em sintonia
Na tua alma, no teu coração.

Chegas ao fim,
Deixaste-te levar
Morres só…
Tal como um cão
Que na rua foi abandonado
E vive só
Desde então.

SF

quarta-feira, maio 24, 2006

Constatações



Li no Diário de Notícias de hoje duas constatações que me deixaram animado…

Que Portugal se destaca, pela positiva, de qualquer outro ex-império europeu porque nas últimas três décadas resolveu em 12 anos quatro grandes desafios em simultâneo e que outras economias poderosas demoraram 40 anos a concluir desafios semelhantes: “Descolonização, democratização, integração europeia e construção de uma nova economia”. – A constatação foi feita recentemente pelo Professor Marcelo Rebelo de Sousa no antigo Casino Lisbonense.

No mesmo local, há 135 anos, Antero de Quental palestrava sobre o tema “Causas da Decadência dos Povos Peninsulares” e declarava: "Portugueses e espanhóis, vamos de século para século minguando em extensão e importância, até não sermos mais do que duas sombras, duas nações espectros, no meio dos povos que nos rodeiam!"

Eu, ao constatar com agrado que os peninsulares conseguiram resolver o pessimismo de Quental, fico encorajado a acreditar que os jovens do nosso país com o potencial académico que têm à sua disposição saberão conduzir o futuro de Portugal a profícuos resultados.

terça-feira, maio 23, 2006

Pragmatismos



A Portugal
Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço
A pouca sorte de nascido nela.
Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela,
saudosamente nela, mas amigos são
por serem meus amigos, e mais nada.
Torpe dejecto de romano império;
babugem de invasões; salsugem porca
de esgoto atlântico; irrisória face
de lama, de cobiça, e de vileza,
de mesquinhez, de fatua ignorância;
terra de escravos, cu pró ar ouvindo
ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
terra de funcionários e de prostitutas,
devotos todos do milagre, castos
nas horas vagas de doença oculta;
terra de heróis a peso de ouro e sangue,
e santos com balcão de secos e molhados
no fundo da virtude; terra triste
à luz do sol calada, arrebicada, pulha,
cheia de afáveis para os estrangeiros
que deixam moedas e transportam pulgas,
oh pulgas lusitanas, pela Europa;
terra de monumentos em que o povo
assina a merda o seu anonimato;
terra-museu em que se vive ainda,
com porcos pela rua, em casas celtiberas;
terra de poetas tão sentimentais
que o cheiro de um sovaco os põe em transe;
terra de pedras esburgadas, secas
como esses sentimentos de oito séculos
de roubos e patrões, barões ou condes;
ó terra de ninguém, ninguém, ninguém:
eu te pertenço.
És cabra, és badalhoca,
és mais que cachorra pelo cio,
és peste e fome e guerra e dor de coração.
Eu te pertenço mas seres minha, não


Jorge de Sena
(poeta português)

segunda-feira, maio 22, 2006

Ressurgimentos


Depois da queda do muro de Berlim, em Novembro de 1989, os movimentos políticos de extrema-direita estão a assumir cada vez mais força na Europa.
Efectivamente tem-se sabido de recentes profanações de túmulos, incêndios a residências e assassinatos, e de outra acções de vandalismo xenófobas infligidas a judeus e estrangeiros na Áustria, Inglaterra, Itália, Espanha e Alemanha
Na Alemanha, por exemplo, o ressurgimento de grupos extremistas de inspiração nazi é de tal maneira preocupante que foi decidido implementar um cadastro nacional para registar as acções violentas por eles perpetradas.
De acordo com estudos divulgados pela Universidade alemã de Potsdam, dois terços dos jovens entre os 14 e 21 anos de idade do Leste são anti-semitas e simpatizantes de organizações neo-nazis.
Em Portugal muito recentemente o SIS veio alertar para o crescimento das actividades da extrema-direita com ligações a grupos internacionais nazis.
Há quem diga que o aparecimento da globalização entre outras coisas atraiu a juventude para ideologias radicais. - A identidade nacional deixou de ter o valor que tinha e o desemprego é cada vez maior. Diz-se também que o ensino sobre a história do fascismo, do nazismo e do próprio holocausto e da segunda guerra mundial tem sido extremamente precário e parcial em todos os países da Europa.

Há coisas que por mais que eu tente não consigo perceber…

Então os “carolas” da globalização não se lembraram dos riscos potenciais que essa mesma globalização poderia provocar nas pessoas levando-as a entrar em desespero pela falta de emprego com que se deparariam e acabarem por se virarem para ideologias radicais as quais invariavelmente culpam a democracia do rega bofe que se vive actualmente em todo o mundo?

Por mim tudo farei para explicar aos meus filhos o que são os extremismos ideológicos e quais os perigos para a humanidade que as acções radicais provocam nas sociedades, porque, como disse Churchill, a democracia, tendo grandes defeitos, é sem qualquer duvida o melhor sistema politico que a humanidade inventou.

domingo, maio 21, 2006

Consciência


“Eu sou espírito

Embora a minha existência física seja confirmada no tempo e no espaço, a minha consciência não tem as mesmas limitações. Estou consciente de todo o campo como um jogo de criação e destruição. Matéria e energia vêm e vão, tremeluzindo para dentro e para fora das nossas existências como pirilampos, e no entanto todos os eventos se articulam uns com os outros e são em ordem pela inteligência profunda que perpassa através de todas as coisas. Eu sou um aspecto dessa inteligência. Sou o campo que se desdobra em eventos locais.
O meu espírito experimenta o mundo material através das lentes da percepção, mas mesmo que eu nada consiga ver e ouvir, ainda assim sou, uma eterna presença da consciência.
Em termos práticos, esta realização torna-se real quando nenhum evento externo pode abalar o sentido do ego. Uma pessoa que se conhece como espírito nunca perde a visão do experimentador no meio da experiência. A sua verdade interior afirma «carrego comigo a consciência da imortalidade no meio da mortalidade».”

Deepak Chopra
(médico e cientista)

sábado, maio 20, 2006

Interpretativos, Pensamentos


"Isto
Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está de pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!”
Fernando Pessoa

sexta-feira, maio 19, 2006

Luandino Vieira


"A mulher é um anjo do céu
Veio ao mundo p'ra sofrer e amar
Mas os homens
Não se lembram quando juram
Só pretendem as mulheres p'ra enganar"

Prémio Camões 2006

O Prémio Camões 2006 foi hoje atribuído ao escritor angolano Luandino Vieira.
É o mais importante galardão literário da Língua Portuguesa, no valor de cem mil euros.

José Luandino Vieira, nascido na Lagoa do Furadouro, Ourém em Portugal no dia 4 de Maio de 1935, adquire a cidadania angolana pela sua participação no movimento de libertação de Angola e contribuição no nascimento da República Popular de Angola.

Foi preso diversas vezes pela PIDE, a primeira vez em 1959, passou pelo Tarrafal onde esteve 8 anos, foi libertado em 1972 em regime de residência vigiada em Lisboa.
Iniciou então a publicação da sua obra na grande maioria escrita nas diversas prisões por onde passou.
Depois da independência de Angola a partir de 1975 organizou e dirigiu a Televisão angolana, o Instituto Angolano de Cinema, foi Secretário-Geral adjunto da Associação dos Escritores Afro-asiáticos e Secretário-Geral da União dos Escritores Angolanos.
Parabéns, Luandino.