domingo, maio 28, 2006

A sul dos sentidos

--------Image: judi
Como se fosse uma tempestade

Quando a água debaixo do chuveiro
A resgatou do seu aturdimento
De olhos fechados imagina
Milhares de gotas apressadas
A salpicar-lhe o manto da infância
Como se fosse uma tempestade
De algum longínquo veraneio.

Na estancia a que os conduziu
Os descaminhos da noite
Pede “seca-me os cabelos”
Como lhe faziam em menina.

Depois vai à janela e encara
De frente um céu assombrado:
Estas horas passarão num ápice
Chegará o dia e o adeus
E só ficará a ausência.

O frio roça-lhe a pele húmida.

José Agustin Goytisolo
(poeta espanhol)

sábado, maio 27, 2006

Perversidades


Criança que estás a sofrer
Grita. Faz-te ouvir
Não deixes que alguém
Te faça chorar ou cair

Teus sonhos
Estragados estão
Entraram no teu ser
Magoaram teu coração

Pobre criança
Só e indefesa
Sonhos perdidos
Vives na tristeza

Quebraram a magia
Própria. A tua inocência
Magoaram-te profundamente
Para própria conveniência

Não vivas calada
Querida criança
Grita aos sete ventos
Aguarda pela esperança

Quem foi o monstro?

Maltratou o teu coração
Quebrou a magia
Perdes-te a alegria
Não merece perdão

Quem foi o monstro?

Matou teus sonhos
Atirou-te à solidão

Mas segue em frente
Criança
Cicatriza teu coração

Não há monstro no Mundo
Que mereça a tua tristeza
Abre teus lábios num sorriso
Não há melhor no Universo
Essa riqueza
A alegria de te ver sorrir.

SF

sexta-feira, maio 26, 2006

Erotismos



Segredo

Nem o tempo tem tempo
Para sondar as trevas
Deste rio correndo
Entre a pele e a pele
Nem o Tempo tem tempo
Nem as trevas dão tréguas
Não descubro o segredo
Que o teu corpo segrega.

David Mourão Ferreira
(escritor português)

quinta-feira, maio 25, 2006

IN EXTREMIS


Droga

Estás só…
Estás só e perdido
Vives desiludido
Pelo êxtase…
Que a droga te proporciona
Mas ficaste agarrado
E agora vives pedrado
Não vives sem ela,
Não consegues sair dela.

És como um cão vadio
Toda a gente te escorraça
Andas sozinho pela praça
Com os braços picados
Os lábios selados.

Agora vives só…
A noite cai lentamente
Só. Ouves a solidão
A vida passa-te pela frente
Já quase não sentes o coração.

O frio gela-te os ossos,
Ninguém te dá a mão;
Entras em agonia
Já não ouves a melodia
Que entrava em sintonia
Na tua alma, no teu coração.

Chegas ao fim,
Deixaste-te levar
Morres só…
Tal como um cão
Que na rua foi abandonado
E vive só
Desde então.

SF

quarta-feira, maio 24, 2006

Constatações



Li no Diário de Notícias de hoje duas constatações que me deixaram animado…

Que Portugal se destaca, pela positiva, de qualquer outro ex-império europeu porque nas últimas três décadas resolveu em 12 anos quatro grandes desafios em simultâneo e que outras economias poderosas demoraram 40 anos a concluir desafios semelhantes: “Descolonização, democratização, integração europeia e construção de uma nova economia”. – A constatação foi feita recentemente pelo Professor Marcelo Rebelo de Sousa no antigo Casino Lisbonense.

No mesmo local, há 135 anos, Antero de Quental palestrava sobre o tema “Causas da Decadência dos Povos Peninsulares” e declarava: "Portugueses e espanhóis, vamos de século para século minguando em extensão e importância, até não sermos mais do que duas sombras, duas nações espectros, no meio dos povos que nos rodeiam!"

Eu, ao constatar com agrado que os peninsulares conseguiram resolver o pessimismo de Quental, fico encorajado a acreditar que os jovens do nosso país com o potencial académico que têm à sua disposição saberão conduzir o futuro de Portugal a profícuos resultados.

terça-feira, maio 23, 2006

Pragmatismos



A Portugal
Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço
A pouca sorte de nascido nela.
Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela,
saudosamente nela, mas amigos são
por serem meus amigos, e mais nada.
Torpe dejecto de romano império;
babugem de invasões; salsugem porca
de esgoto atlântico; irrisória face
de lama, de cobiça, e de vileza,
de mesquinhez, de fatua ignorância;
terra de escravos, cu pró ar ouvindo
ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
terra de funcionários e de prostitutas,
devotos todos do milagre, castos
nas horas vagas de doença oculta;
terra de heróis a peso de ouro e sangue,
e santos com balcão de secos e molhados
no fundo da virtude; terra triste
à luz do sol calada, arrebicada, pulha,
cheia de afáveis para os estrangeiros
que deixam moedas e transportam pulgas,
oh pulgas lusitanas, pela Europa;
terra de monumentos em que o povo
assina a merda o seu anonimato;
terra-museu em que se vive ainda,
com porcos pela rua, em casas celtiberas;
terra de poetas tão sentimentais
que o cheiro de um sovaco os põe em transe;
terra de pedras esburgadas, secas
como esses sentimentos de oito séculos
de roubos e patrões, barões ou condes;
ó terra de ninguém, ninguém, ninguém:
eu te pertenço.
És cabra, és badalhoca,
és mais que cachorra pelo cio,
és peste e fome e guerra e dor de coração.
Eu te pertenço mas seres minha, não


Jorge de Sena
(poeta português)

segunda-feira, maio 22, 2006

Ressurgimentos


Depois da queda do muro de Berlim, em Novembro de 1989, os movimentos políticos de extrema-direita estão a assumir cada vez mais força na Europa.
Efectivamente tem-se sabido de recentes profanações de túmulos, incêndios a residências e assassinatos, e de outra acções de vandalismo xenófobas infligidas a judeus e estrangeiros na Áustria, Inglaterra, Itália, Espanha e Alemanha
Na Alemanha, por exemplo, o ressurgimento de grupos extremistas de inspiração nazi é de tal maneira preocupante que foi decidido implementar um cadastro nacional para registar as acções violentas por eles perpetradas.
De acordo com estudos divulgados pela Universidade alemã de Potsdam, dois terços dos jovens entre os 14 e 21 anos de idade do Leste são anti-semitas e simpatizantes de organizações neo-nazis.
Em Portugal muito recentemente o SIS veio alertar para o crescimento das actividades da extrema-direita com ligações a grupos internacionais nazis.
Há quem diga que o aparecimento da globalização entre outras coisas atraiu a juventude para ideologias radicais. - A identidade nacional deixou de ter o valor que tinha e o desemprego é cada vez maior. Diz-se também que o ensino sobre a história do fascismo, do nazismo e do próprio holocausto e da segunda guerra mundial tem sido extremamente precário e parcial em todos os países da Europa.

Há coisas que por mais que eu tente não consigo perceber…

Então os “carolas” da globalização não se lembraram dos riscos potenciais que essa mesma globalização poderia provocar nas pessoas levando-as a entrar em desespero pela falta de emprego com que se deparariam e acabarem por se virarem para ideologias radicais as quais invariavelmente culpam a democracia do rega bofe que se vive actualmente em todo o mundo?

Por mim tudo farei para explicar aos meus filhos o que são os extremismos ideológicos e quais os perigos para a humanidade que as acções radicais provocam nas sociedades, porque, como disse Churchill, a democracia, tendo grandes defeitos, é sem qualquer duvida o melhor sistema politico que a humanidade inventou.

domingo, maio 21, 2006

Consciência


“Eu sou espírito

Embora a minha existência física seja confirmada no tempo e no espaço, a minha consciência não tem as mesmas limitações. Estou consciente de todo o campo como um jogo de criação e destruição. Matéria e energia vêm e vão, tremeluzindo para dentro e para fora das nossas existências como pirilampos, e no entanto todos os eventos se articulam uns com os outros e são em ordem pela inteligência profunda que perpassa através de todas as coisas. Eu sou um aspecto dessa inteligência. Sou o campo que se desdobra em eventos locais.
O meu espírito experimenta o mundo material através das lentes da percepção, mas mesmo que eu nada consiga ver e ouvir, ainda assim sou, uma eterna presença da consciência.
Em termos práticos, esta realização torna-se real quando nenhum evento externo pode abalar o sentido do ego. Uma pessoa que se conhece como espírito nunca perde a visão do experimentador no meio da experiência. A sua verdade interior afirma «carrego comigo a consciência da imortalidade no meio da mortalidade».”

Deepak Chopra
(médico e cientista)

sábado, maio 20, 2006

Interpretativos, Pensamentos


"Isto
Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está de pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!”
Fernando Pessoa

sexta-feira, maio 19, 2006

Luandino Vieira


"A mulher é um anjo do céu
Veio ao mundo p'ra sofrer e amar
Mas os homens
Não se lembram quando juram
Só pretendem as mulheres p'ra enganar"

Prémio Camões 2006

O Prémio Camões 2006 foi hoje atribuído ao escritor angolano Luandino Vieira.
É o mais importante galardão literário da Língua Portuguesa, no valor de cem mil euros.

José Luandino Vieira, nascido na Lagoa do Furadouro, Ourém em Portugal no dia 4 de Maio de 1935, adquire a cidadania angolana pela sua participação no movimento de libertação de Angola e contribuição no nascimento da República Popular de Angola.

Foi preso diversas vezes pela PIDE, a primeira vez em 1959, passou pelo Tarrafal onde esteve 8 anos, foi libertado em 1972 em regime de residência vigiada em Lisboa.
Iniciou então a publicação da sua obra na grande maioria escrita nas diversas prisões por onde passou.
Depois da independência de Angola a partir de 1975 organizou e dirigiu a Televisão angolana, o Instituto Angolano de Cinema, foi Secretário-Geral adjunto da Associação dos Escritores Afro-asiáticos e Secretário-Geral da União dos Escritores Angolanos.
Parabéns, Luandino.

quinta-feira, maio 18, 2006

Incomensurável


“Assim que nascemos, dependemos dos cuidados e do carinho dos nossos pais. Mais tarde, na vida, quando adoecemos e ficamos velhos, dependemos de novo da bondade dos outros. Estando nós tão dependentes da bondade alheia no princípio e no fim da nossa vida, como podemos, no meio, esquecer a bondade para com os outros?”

Tenzin Gyatso, o XIV Dalai Lama

(extraído de um artigo dedicado ao povo Bodhisattva, escrito por Patrícia Fonseca na revista EGOÍSTA de Setembro de 2003)

quarta-feira, maio 17, 2006

Galardão


Uma Amiga pediu-me que publicasse poemas da sua autoria.
Aqui vai então um dos poemas que a partir de agora passarei a transcrever:

Os dias passam,
A solidão permanece…
Recordar um grande amor,
Alguém que não se esquece

Pensar na felicidade
Que foi breve

Que preencheu meu coração
Depressa o partiu,
O amor fugiu,
Deixou-me na escuridão.

Os dias passam,
Cacos partidos se juntam
Com a cola invisível do tempo

Encontro outro alguém
Que me ama como ninguém.

SF

NOTA: A autora deu-me o privilégio de ser da minha responsabilidade a colocação do título e da imagem.

terça-feira, maio 16, 2006

O Livro


"Escuta, Zé Ninguém!" não é um documento científico mas humano
(Trecho do livro de Wilhelm Reich com o título Escuta, Zé Ninguém)

"… És o «homem médio», o «homem comum». Repara bem no significado destas palavras: «médio» e «comum».
Não fujas. Tem ânimo e contempla-te. «Que direito tem este tipo de dizer-me o que quer que seja?» Leio esta pergunta nos teus olhos - amedrontados. Ouço-a na sua impertinência, Zé Ninguém. Tens medo de olhar para ti próprio, tens medo da crítica, tal como tens medo do poder que te prometem e que não saberias usar. Nem te atreves a pensar que poderias ser diferente: livre em vez de deprimido, directo em vez de cauteloso, amando às claras e não mais como um ladrão na noite. Tu mesmo te desprezas, Zé Ninguém, Dizes: «Quem sou eu para ter opinião própria, para decidir da minha própria vida e ter o mundo por meu?» E tens razão: Quem és tu para reclamar direitos sobre a tua vida? Deixa-me dizer-te.
Diferes dos grandes homens que verdadeiramente o são apenas num ponto: todo o grande homem foi outrora um Zé Ninguém que desenvolveu apenas uma outra qualidade: a de reconhecer as áreas em que havia limitações e estreiteza no seu modo de pensar e agir. Através de qualquer tarefa que o apaixonasse, aprendeu a sentir cada vez melhor aquilo em que a sua pequenez e mediocridade ameaçavam a sua felicidade. O grande homem é, pois, aquele que reconhece quando e em que é pequeno. O homem pequeno é aquele que não reconhece a sua pequenez e teme reconhecê-la; que procura mascarar a sua tacanhez e estreiteza de vistas com ilusões de força e grandeza, força e grandeza alheias. Que se orgulha dos seus grandes generais, mas não de si próprio. Que admira as ideias que não teve, mas nunca as que teve. Que acredita mais arraigadamente nas coisas que menos entende, e que não acredita no que quer que lhe pareça fácil de assimilar.
Comecemos pelo Zé Ninguém que habita em mim: Durante vinte e cinco anos tomei a defesa, em palavras e por escrito, do direito do homem comum à felicidade neste mundo; acusei-te pois da incapacidade de agarrar o que te pertence, de preservar o que conquistaste nas sangrentas barricadas de Paris e Viena, na luta pela Independência americana ou na revolução russa.
Paris foi dar a Pétain e Laval, Viena a Hitler, a tua Rússia a Stalin, e a tua América bem poderia conduzir a um regime KKK – Ku-Klux-Klan. Sabes melhor lutar pela tua liberdade que preservá-la para ti e para os outros. Isto eu sempre soube. O que não entendia, porém, era porque de cada vez que tentavas penosamente arrastar-te para fora de um lameiro acabavas por cair noutra ainda pior. Depois, pouco a pouco, às apalpadelas e olhando prudentemente em torno, entendi o que te escraviza: ÉS TU O TEU PRÓPRIO NEGREIRO. A verdade diz que mais ninguém senão tu é culpado da tua escravatura. Mais ninguém, sou eu que te digo!
Esta é nova, hein? Os teus libertadores garantem-te que os teus opressores se chamam Guilherme, Nicolau, papa Gregório XXVIII, Morgan, Krupp e Ford. E que os teus libertadores se chamam Mussolini, Napoleão, Hitler e Stalin.
Mas eu afirmo: Só tu podes libertar-te."

segunda-feira, maio 15, 2006

Movimentos perpétuos


Não te deixes manipular
Não deixes

A conta por pagar
O filho p’ra criar

O petróleo a liderar
O imposto a aumentar
A energia a galopar
A água a faltar

E o Governo a olhar.

O salário a baixar
Onde é q’isto vai parar
Não me posso reformar
Como vou eu poupar

E o Político a defecar.

A carne a não chegar
O leite a escassear
Não há peixe a mastigar
O pão a alternar

E Portugal a atrasar.

O Banco a engordar
O carro para arranjar
No bolso a faltar
Já não posso respirar

E por quem irei votar.

Não te deixes enganar
Não deixes

Não me deixo manipular
Não deixo

domingo, maio 14, 2006

Memorial

Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.
Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só dos teus olhares me purifique e acabe.
Há muitas coisas que eu quero ver.
Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o teu reino antes do tempo venha.
E se derrame sobre a Terra
Em primavera feroz precipitado.

Sophia de Mello Breyner

(dedico este poema ao meu querido filho Ruben Tiago. - 1978-1987)

sábado, maio 13, 2006

Origens



Folgosa, aldeia onde nasceu meu pai. Sempre que me encontrava, durante o verão em férias, na aldeia de minha mãe era costume ir com meus pais visitar a família paterna nesta aldeia muito interessante do concelho de Gois situada na Serra da Lousã.



Valtorto, pequena aldeia situada no principio da encosta do afamado e célebre Penedo de Góis, onde nasceu minha mãe. Quando era pequeno ia passar as férias escolares de verão nesta simpática aldeia com minha avó materna, que embora residisse em Lisboa fazia questão de lá juntar a família. Nessas alturas do ano eu, minha irmã e meus irmãos encontravamos as primas e primos, a tia, os tios e amigos. - Era uma permanente festa de alegria e de felicidade.

Bons momentos que ali passei...



Góis é uma vila portuguesa no Distrito de Coimbra, região Centro e sub-região do Pinhal Interior Norte, com cerca de 2 300 habitantes.
É sede de um município com 263,72 km² de área e 5 382 habitantes, subdividido em 5 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Arganil, a leste por Pampilhosa da Serra, a sudoeste por Pedrógão Grande e por Castanheira de Pêra, a oeste pela Lousã e a noroeste por Vila Nova de Poiares
Quando o rei D. Fernando conquistou Coimbra no ano de 1064 (segundo uns e 1058 segundo outros) deu aos seus barões e vassalos fieis vilas para povoar e edificar com direitos hereditários.
Parece que aqui deve ter nascido a doação do concelho de Góis, possivelmente a um godo que daria o nome à própria terra.Em 1143 no 1º dia de Agosto D. Teresa e D. Afonso fazem a doação da vila de Góis e lugares a ela pertencentes a Arnaldo Vestariz e a sua mulher Ermisenda (Torre do Tombo «Manuscrito da Livraria» n.º439) (1).
A ponte, sobre o rio Ceira, é formada por três arcos semicirculares. O arco central ostenta um escudo nacional ladeado por cruzes de Cristo encimando esferas armilares. A construção desta ponte data do século XVI. Terá sido mandada construir pelo rei D. Manuel.

sexta-feira, maio 12, 2006

Submissos, Laços

Aquela Ilha esquecida
Que eu habito adormecida
Que, à noite, eu vou habitar;

Aquela Ilha encantada
Que não se encontra de dia,
Pois fica na madrugada;

A Ilha não descoberta,
Onde a criptoméria aberta
Espalha em volta o luar.

Àquela ilha distante,
Não há ninguém que se afoite…

Aquela Ilha esquecida
Que só tem um habitante:
Eu que vivo de noite…


Natália Correia
(poetisa portuguesa)