quinta-feira, maio 18, 2006

Incomensurável


“Assim que nascemos, dependemos dos cuidados e do carinho dos nossos pais. Mais tarde, na vida, quando adoecemos e ficamos velhos, dependemos de novo da bondade dos outros. Estando nós tão dependentes da bondade alheia no princípio e no fim da nossa vida, como podemos, no meio, esquecer a bondade para com os outros?”

Tenzin Gyatso, o XIV Dalai Lama

(extraído de um artigo dedicado ao povo Bodhisattva, escrito por Patrícia Fonseca na revista EGOÍSTA de Setembro de 2003)

quarta-feira, maio 17, 2006

Galardão


Uma Amiga pediu-me que publicasse poemas da sua autoria.
Aqui vai então um dos poemas que a partir de agora passarei a transcrever:

Os dias passam,
A solidão permanece…
Recordar um grande amor,
Alguém que não se esquece

Pensar na felicidade
Que foi breve

Que preencheu meu coração
Depressa o partiu,
O amor fugiu,
Deixou-me na escuridão.

Os dias passam,
Cacos partidos se juntam
Com a cola invisível do tempo

Encontro outro alguém
Que me ama como ninguém.

SF

NOTA: A autora deu-me o privilégio de ser da minha responsabilidade a colocação do título e da imagem.

terça-feira, maio 16, 2006

O Livro


"Escuta, Zé Ninguém!" não é um documento científico mas humano
(Trecho do livro de Wilhelm Reich com o título Escuta, Zé Ninguém)

"… És o «homem médio», o «homem comum». Repara bem no significado destas palavras: «médio» e «comum».
Não fujas. Tem ânimo e contempla-te. «Que direito tem este tipo de dizer-me o que quer que seja?» Leio esta pergunta nos teus olhos - amedrontados. Ouço-a na sua impertinência, Zé Ninguém. Tens medo de olhar para ti próprio, tens medo da crítica, tal como tens medo do poder que te prometem e que não saberias usar. Nem te atreves a pensar que poderias ser diferente: livre em vez de deprimido, directo em vez de cauteloso, amando às claras e não mais como um ladrão na noite. Tu mesmo te desprezas, Zé Ninguém, Dizes: «Quem sou eu para ter opinião própria, para decidir da minha própria vida e ter o mundo por meu?» E tens razão: Quem és tu para reclamar direitos sobre a tua vida? Deixa-me dizer-te.
Diferes dos grandes homens que verdadeiramente o são apenas num ponto: todo o grande homem foi outrora um Zé Ninguém que desenvolveu apenas uma outra qualidade: a de reconhecer as áreas em que havia limitações e estreiteza no seu modo de pensar e agir. Através de qualquer tarefa que o apaixonasse, aprendeu a sentir cada vez melhor aquilo em que a sua pequenez e mediocridade ameaçavam a sua felicidade. O grande homem é, pois, aquele que reconhece quando e em que é pequeno. O homem pequeno é aquele que não reconhece a sua pequenez e teme reconhecê-la; que procura mascarar a sua tacanhez e estreiteza de vistas com ilusões de força e grandeza, força e grandeza alheias. Que se orgulha dos seus grandes generais, mas não de si próprio. Que admira as ideias que não teve, mas nunca as que teve. Que acredita mais arraigadamente nas coisas que menos entende, e que não acredita no que quer que lhe pareça fácil de assimilar.
Comecemos pelo Zé Ninguém que habita em mim: Durante vinte e cinco anos tomei a defesa, em palavras e por escrito, do direito do homem comum à felicidade neste mundo; acusei-te pois da incapacidade de agarrar o que te pertence, de preservar o que conquistaste nas sangrentas barricadas de Paris e Viena, na luta pela Independência americana ou na revolução russa.
Paris foi dar a Pétain e Laval, Viena a Hitler, a tua Rússia a Stalin, e a tua América bem poderia conduzir a um regime KKK – Ku-Klux-Klan. Sabes melhor lutar pela tua liberdade que preservá-la para ti e para os outros. Isto eu sempre soube. O que não entendia, porém, era porque de cada vez que tentavas penosamente arrastar-te para fora de um lameiro acabavas por cair noutra ainda pior. Depois, pouco a pouco, às apalpadelas e olhando prudentemente em torno, entendi o que te escraviza: ÉS TU O TEU PRÓPRIO NEGREIRO. A verdade diz que mais ninguém senão tu é culpado da tua escravatura. Mais ninguém, sou eu que te digo!
Esta é nova, hein? Os teus libertadores garantem-te que os teus opressores se chamam Guilherme, Nicolau, papa Gregório XXVIII, Morgan, Krupp e Ford. E que os teus libertadores se chamam Mussolini, Napoleão, Hitler e Stalin.
Mas eu afirmo: Só tu podes libertar-te."

segunda-feira, maio 15, 2006

Movimentos perpétuos


Não te deixes manipular
Não deixes

A conta por pagar
O filho p’ra criar

O petróleo a liderar
O imposto a aumentar
A energia a galopar
A água a faltar

E o Governo a olhar.

O salário a baixar
Onde é q’isto vai parar
Não me posso reformar
Como vou eu poupar

E o Político a defecar.

A carne a não chegar
O leite a escassear
Não há peixe a mastigar
O pão a alternar

E Portugal a atrasar.

O Banco a engordar
O carro para arranjar
No bolso a faltar
Já não posso respirar

E por quem irei votar.

Não te deixes enganar
Não deixes

Não me deixo manipular
Não deixo

domingo, maio 14, 2006

Memorial

Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.
Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só dos teus olhares me purifique e acabe.
Há muitas coisas que eu quero ver.
Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o teu reino antes do tempo venha.
E se derrame sobre a Terra
Em primavera feroz precipitado.

Sophia de Mello Breyner

(dedico este poema ao meu querido filho Ruben Tiago. - 1978-1987)

sábado, maio 13, 2006

Origens



Folgosa, aldeia onde nasceu meu pai. Sempre que me encontrava, durante o verão em férias, na aldeia de minha mãe era costume ir com meus pais visitar a família paterna nesta aldeia muito interessante do concelho de Gois situada na Serra da Lousã.



Valtorto, pequena aldeia situada no principio da encosta do afamado e célebre Penedo de Góis, onde nasceu minha mãe. Quando era pequeno ia passar as férias escolares de verão nesta simpática aldeia com minha avó materna, que embora residisse em Lisboa fazia questão de lá juntar a família. Nessas alturas do ano eu, minha irmã e meus irmãos encontravamos as primas e primos, a tia, os tios e amigos. - Era uma permanente festa de alegria e de felicidade.

Bons momentos que ali passei...



Góis é uma vila portuguesa no Distrito de Coimbra, região Centro e sub-região do Pinhal Interior Norte, com cerca de 2 300 habitantes.
É sede de um município com 263,72 km² de área e 5 382 habitantes, subdividido em 5 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Arganil, a leste por Pampilhosa da Serra, a sudoeste por Pedrógão Grande e por Castanheira de Pêra, a oeste pela Lousã e a noroeste por Vila Nova de Poiares
Quando o rei D. Fernando conquistou Coimbra no ano de 1064 (segundo uns e 1058 segundo outros) deu aos seus barões e vassalos fieis vilas para povoar e edificar com direitos hereditários.
Parece que aqui deve ter nascido a doação do concelho de Góis, possivelmente a um godo que daria o nome à própria terra.Em 1143 no 1º dia de Agosto D. Teresa e D. Afonso fazem a doação da vila de Góis e lugares a ela pertencentes a Arnaldo Vestariz e a sua mulher Ermisenda (Torre do Tombo «Manuscrito da Livraria» n.º439) (1).
A ponte, sobre o rio Ceira, é formada por três arcos semicirculares. O arco central ostenta um escudo nacional ladeado por cruzes de Cristo encimando esferas armilares. A construção desta ponte data do século XVI. Terá sido mandada construir pelo rei D. Manuel.

sexta-feira, maio 12, 2006

Submissos, Laços

Aquela Ilha esquecida
Que eu habito adormecida
Que, à noite, eu vou habitar;

Aquela Ilha encantada
Que não se encontra de dia,
Pois fica na madrugada;

A Ilha não descoberta,
Onde a criptoméria aberta
Espalha em volta o luar.

Àquela ilha distante,
Não há ninguém que se afoite…

Aquela Ilha esquecida
Que só tem um habitante:
Eu que vivo de noite…


Natália Correia
(poetisa portuguesa)

quinta-feira, maio 11, 2006

Caminhos



"Longe dos estridentes

risos dos homens, a nossa

vida secreta movia-se."

Carol Ann Duffy - n.1955

quarta-feira, maio 10, 2006

Harmonia


No desprendimento revela-se o conhecimento da incerteza…
no conhecimento da incerteza revela-se a libertação
do passado, do desconhecido,
da prisão da circunstancia do passado.

E pela vontade de entrar no desconhecido,
no campo de todas as possibilidades,
entregamo-nos ao espírito criativo
que orquestra a dança do universo.

Deepak Chopra
(cientista e médico)

terça-feira, maio 09, 2006

Maternidades e Ambiguidades

O Governo de Portugal liderado pelo Secretário-geral do Partido Socialista, José Sócrates, prepara-se para desincentivar os casais, com idade para procriação, em usarem contraceptivo durante o acto sexual. – Não. Não é brincadeira!

De futuro, os casais que tenham menos de dois filhos serão penalizados na sua contribuição para a Segurança Social. – A medida foi anunciada recentemente em nome da absoluta necessidade de ter que se provocar uma explosão demográfica elevada no País para que fique assegurado o sistema financeiro da segurança social no sentido de que o mesmo não entre em falência efectiva daqui a 50 anos.

Parece incrível mas não é. - A partir do momento em que, como é sabido, a maioria dos jovens casais não têm filhos porque não podem, face ás dificuldades que enfrentam em obter sustentação económica e financeira adequada nas suas vidas, é estranho pensar que a medida anunciada venha a produzir os resultados esperados, a não ser que a taxa de agravamento seja tão atractiva que valha a pena uma tão vertiginosa mudança de atitude.


Por outro lado em nome da reunião de recursos financeiros que o Estado encetou com vista a baixar drasticamente a “despesa pública” está em marcha o encerramento de nove Maternidades em todo o País!!!
– Mas… mas então a explosão demográfica que se requer não exigirá que as Maternidades se mantenham abertas e melhor preparadas para darem a cobertura adequada ao evento?! - Como é que vai ser???? - Os futuros “rebentos” fabricados em Elvas passam a nascer em Badajoz?! – Terão nacionalidade portuguesa e naturalidade espanhola ou apenas nacionalidade europeia?!

Ora, se as pessoas passarem a reproduzir mais, como é que o farão melhor sem o indispensável apoio hospitalar?!
– Fico com a ideia de que se está perante uma enorme ambiguidade.

segunda-feira, maio 08, 2006

Competência


Paulo Bento foi indiscutivelmente o grande vencedor ao ter demonstrado uma excelente liderança disciplinar e técnica que impôs ao Sporting Clube de Portugal na segunda parte do campeonato para a liga de honra, momento em que tomou conta dos destinos futebolísticos da equipe na época de 2005/2006 e ter conquistado assim o segundo lugar.
Os “leões” estão de parabéns merecendo por isso um forte aplauso.

domingo, maio 07, 2006

Esta noite...


A noite passada sonhei com meu pai e com o seu primeiro automóvel (Vauxhall Velox), igual ao da foto, com a matricula CI-18-14. Eu tinha seis anos de idade, quando foi adquirido. - Foi uma festa... belas recordações.

sábado, maio 06, 2006

Ousadias



Adoras deitar-te na nossa cama desfeita.

Os nossos suores antigos não te incomodam.

Os nossos lençóis encardidos por sonhos esquecidos

os nossos gritos estampados no papel da parede

tudo isso exalta o teu corpo esfaimado.

O teu rosto desairoso ilumina-se então,

e os nossos desejos de ontem

são os teus sonhos de amanhã.

Joyce Mansour - escritora francesa

sexta-feira, maio 05, 2006

Mãe


Mãe
Há só uma
A nossa
Mais nenhuma

quinta-feira, maio 04, 2006

Bebamo-nos uns aos outros



A vida deve ser bebida
Estou
E num breve instante
Sinto tudo
Sinto-me tudo
Deito-me no meu corpo
E despeço-me de mim
Para me encontrar
No próximo olhar
Ausento-me da morte
não quero nada
eu sou tudo
respiro-me até à exaustão
Nada me alimenta
porque sou feito de todas as coisas
e adormeço onde tombam a luz e a poeira
A vida (ensinaram-me assim)
Deve ser bebida

Mia Couto
(poeta moçambicano)

quarta-feira, maio 03, 2006

O começo da tragedia


Mar

Na melancolia de teus olhos
Eu sinto a noite se inclinar
E ouço as cantigas antigas
Do mar.
Nos frios espaços de teus braços
Eu me perco em carícias de água
E durmo escutando em vão
O silêncio.
E anseio em teu misterioso seio
Na atonia das ondas redondas
Náufrago entregue ao fluxo forte
Da morte.

Vinicius de Moraes
(poeta brasileiro)

terça-feira, maio 02, 2006

Querida filha


"Criar uma criança é a maior forma de amor que um humano pode experimentar".

(Marsha Rock)

segunda-feira, maio 01, 2006

Apelo


Urgentemente
É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas
e rios e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.

Eugénio de Andrade
(poeta português)