sábado, maio 13, 2006



Valtorto, pequena aldeia situada no principio da encosta do afamado e célebre Penedo de Góis, onde nasceu minha mãe. Quando era pequeno ia passar as férias escolares de verão nesta simpática aldeia com minha avó materna, que embora residisse em Lisboa fazia questão de lá juntar a família. Nessas alturas do ano eu, minha irmã e meus irmãos encontravamos as primas e primos, a tia, os tios e amigos. - Era uma permanente festa de alegria e de felicidade.

Bons momentos que ali passei...



Góis é uma vila portuguesa no Distrito de Coimbra, região Centro e sub-região do Pinhal Interior Norte, com cerca de 2 300 habitantes.
É sede de um município com 263,72 km² de área e 5 382 habitantes, subdividido em 5 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Arganil, a leste por Pampilhosa da Serra, a sudoeste por Pedrógão Grande e por Castanheira de Pêra, a oeste pela Lousã e a noroeste por Vila Nova de Poiares
Quando o rei D. Fernando conquistou Coimbra no ano de 1064 (segundo uns e 1058 segundo outros) deu aos seus barões e vassalos fieis vilas para povoar e edificar com direitos hereditários.
Parece que aqui deve ter nascido a doação do concelho de Góis, possivelmente a um godo que daria o nome à própria terra.Em 1143 no 1º dia de Agosto D. Teresa e D. Afonso fazem a doação da vila de Góis e lugares a ela pertencentes a Arnaldo Vestariz e a sua mulher Ermisenda (Torre do Tombo «Manuscrito da Livraria» n.º439) (1).
A ponte, sobre o rio Ceira, é formada por três arcos semicirculares. O arco central ostenta um escudo nacional ladeado por cruzes de Cristo encimando esferas armilares. A construção desta ponte data do século XVI. Terá sido mandada construir pelo rei D. Manuel.

sexta-feira, maio 12, 2006

Submissos, Laços

Aquela Ilha esquecida
Que eu habito adormecida
Que, à noite, eu vou habitar;

Aquela Ilha encantada
Que não se encontra de dia,
Pois fica na madrugada;

A Ilha não descoberta,
Onde a criptoméria aberta
Espalha em volta o luar.

Àquela ilha distante,
Não há ninguém que se afoite…

Aquela Ilha esquecida
Que só tem um habitante:
Eu que vivo de noite…


Natália Correia
(poetisa portuguesa)

quinta-feira, maio 11, 2006

Caminhos



"Longe dos estridentes

risos dos homens, a nossa

vida secreta movia-se."

Carol Ann Duffy - n.1955

quarta-feira, maio 10, 2006

Harmonia


No desprendimento revela-se o conhecimento da incerteza…
no conhecimento da incerteza revela-se a libertação
do passado, do desconhecido,
da prisão da circunstancia do passado.

E pela vontade de entrar no desconhecido,
no campo de todas as possibilidades,
entregamo-nos ao espírito criativo
que orquestra a dança do universo.

Deepak Chopra
(cientista e médico)

terça-feira, maio 09, 2006

Maternidades e Ambiguidades

O Governo de Portugal liderado pelo Secretário-geral do Partido Socialista, José Sócrates, prepara-se para desincentivar os casais, com idade para procriação, em usarem contraceptivo durante o acto sexual. – Não. Não é brincadeira!

De futuro, os casais que tenham menos de dois filhos serão penalizados na sua contribuição para a Segurança Social. – A medida foi anunciada recentemente em nome da absoluta necessidade de ter que se provocar uma explosão demográfica elevada no País para que fique assegurado o sistema financeiro da segurança social no sentido de que o mesmo não entre em falência efectiva daqui a 50 anos.

Parece incrível mas não é. - A partir do momento em que, como é sabido, a maioria dos jovens casais não têm filhos porque não podem, face ás dificuldades que enfrentam em obter sustentação económica e financeira adequada nas suas vidas, é estranho pensar que a medida anunciada venha a produzir os resultados esperados, a não ser que a taxa de agravamento seja tão atractiva que valha a pena uma tão vertiginosa mudança de atitude.


Por outro lado em nome da reunião de recursos financeiros que o Estado encetou com vista a baixar drasticamente a “despesa pública” está em marcha o encerramento de nove Maternidades em todo o País!!!
– Mas… mas então a explosão demográfica que se requer não exigirá que as Maternidades se mantenham abertas e melhor preparadas para darem a cobertura adequada ao evento?! - Como é que vai ser???? - Os futuros “rebentos” fabricados em Elvas passam a nascer em Badajoz?! – Terão nacionalidade portuguesa e naturalidade espanhola ou apenas nacionalidade europeia?!

Ora, se as pessoas passarem a reproduzir mais, como é que o farão melhor sem o indispensável apoio hospitalar?!
– Fico com a ideia de que se está perante uma enorme ambiguidade.

segunda-feira, maio 08, 2006

Competência


Paulo Bento foi indiscutivelmente o grande vencedor ao ter demonstrado uma excelente liderança disciplinar e técnica que impôs ao Sporting Clube de Portugal na segunda parte do campeonato para a liga de honra, momento em que tomou conta dos destinos futebolísticos da equipe na época de 2005/2006 e ter conquistado assim o segundo lugar.
Os “leões” estão de parabéns merecendo por isso um forte aplauso.

domingo, maio 07, 2006

Esta noite...


A noite passada sonhei com meu pai e com o seu primeiro automóvel (Vauxhall Velox), igual ao da foto, com a matricula CI-18-14. Eu tinha seis anos de idade, quando foi adquirido. - Foi uma festa... belas recordações.

sábado, maio 06, 2006

Ousadias



Adoras deitar-te na nossa cama desfeita.

Os nossos suores antigos não te incomodam.

Os nossos lençóis encardidos por sonhos esquecidos

os nossos gritos estampados no papel da parede

tudo isso exalta o teu corpo esfaimado.

O teu rosto desairoso ilumina-se então,

e os nossos desejos de ontem

são os teus sonhos de amanhã.

Joyce Mansour - escritora francesa

sexta-feira, maio 05, 2006

Mãe


Mãe
Há só uma
A nossa
Mais nenhuma

quinta-feira, maio 04, 2006

Bebamo-nos uns aos outros



A vida deve ser bebida
Estou
E num breve instante
Sinto tudo
Sinto-me tudo
Deito-me no meu corpo
E despeço-me de mim
Para me encontrar
No próximo olhar
Ausento-me da morte
não quero nada
eu sou tudo
respiro-me até à exaustão
Nada me alimenta
porque sou feito de todas as coisas
e adormeço onde tombam a luz e a poeira
A vida (ensinaram-me assim)
Deve ser bebida

Mia Couto
(poeta moçambicano)

quarta-feira, maio 03, 2006

O começo da tragedia


Mar

Na melancolia de teus olhos
Eu sinto a noite se inclinar
E ouço as cantigas antigas
Do mar.
Nos frios espaços de teus braços
Eu me perco em carícias de água
E durmo escutando em vão
O silêncio.
E anseio em teu misterioso seio
Na atonia das ondas redondas
Náufrago entregue ao fluxo forte
Da morte.

Vinicius de Moraes
(poeta brasileiro)

terça-feira, maio 02, 2006

Querida filha


"Criar uma criança é a maior forma de amor que um humano pode experimentar".

(Marsha Rock)

segunda-feira, maio 01, 2006

Apelo


Urgentemente
É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas
e rios e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.

Eugénio de Andrade
(poeta português)

domingo, abril 30, 2006

Mistério


"Odeie o pecado e ame o pecador"

Mohandas Karamchand Gandhi
(fundador do Estado Indiano)

sábado, abril 29, 2006

Hermeticamente fechado


1973
Ultimo 1º de Maio do Estado Novo

A história que aqui vou escrever remonta à data de 1 de Maio de 1973. É uma história sobre um terrível acontecimento que eu presenciei

Como é sabido, no calendário de feriados nacionais do regime instaurado em Portugal pelo gole de Estado de 28 de Maio de 1926 não constava o Dia do Trabalhador. Durante o Estado Novo, regime imposto por Salazar com a entrada em vigor da Constituição de 1933, em que as manifestações do “Dia do Trabalho” eram organizadas e controladas pelo Estado que tinha o controlo governamental dos sindicatos, o 1º de Maio não era também considerado dia descanso nacional.

O cidadão, contudo, cada vez mais inventava pequenos truques para clandestinamente assinalar aquele dia… Havia também quem de forma mais ou menos clara e organizada fizesse questão de demonstrar a sua insatisfação.

No dia 1 de Maio de 1973 morava, eu, em Campo de Ourique e tinha 17 anos de idade. Apesar de ser dia de trabalho, não fui trabalhar (não me recordo já porquê). - Sai à rua para ir tomar o pequeno-almoço por volta das dez horas ao Café, que ainda hoje tem o mesmo nome, “A Tentadora”. – Preferi a esplanada (ainda hoje quando lá vou a prefiro). Não foi necessário pedir nada. – O empregado já conhecia os meus gostos e trouxe-me o habitual galão e o caracol com manteiga e fiambre. – Deu-me os bons dias e questionou-me:

Por aqui a esta hora?! - Já viu o que é que aqueles tipos andam a fazer aqui á volta?

Olhei á nossa volta e rapidamente me apercebi que de facto havia na rua uma movimentação pouco usual! – Eram rapazes e raparigas estudantes mais ou menos da minha idade que, individualmente (não eram autorizados ajuntamentos), abordavam as pessoas que por ali passavam, registando as suas respostas, uns em papel, outros em gravadores de voz que traziam á tiracolo.

Não fiz comentários… – Naquela época qualquer comentário a propósito podia ser mal interpretado, para além de nunca se saber com quem se estava a falar… – Acção estudantil arriscada…!!! - Pensei.

De repente, eu e todas as outras pessoas que se encontravam naquela esplanada, tivemos de abandonar o local e de nos refugiar dentro das instalações do Café, perante a chegada abrupta de diversas carrinhas de onde emergia um avultado número de “polícias de choque” e de cães treinados para aquele tipo de agressão. – O absurdo instalou-se…

Pessoas a caírem no chão empurradas pelos cães e pelas bastonadas infligidas. - Uma rapariga que teria 15/16 anos de idade foi atirada para o chão junto à porta da florista, mesmo em frente ao Café, o cão que a fez cair só a largou quando, com os dentes, lhe arrancou um pedaço de uma mama, depois disso foi ainda brutalmente espancada à bastonada.

Triste dia este…
Que me marcou para toda a vida. A marca de um “espaço fechado e de um lugar de infelicidade” como era Portugal.

sexta-feira, abril 28, 2006

Arbítrio


Liberdade

Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.

Sophia de Mello Breyner Andresen
(poetisa portuguesa)

quinta-feira, abril 27, 2006

Eternidade


"É tão absurdo dizer que um homem não pode amar a mesma mulher toda a vida, quanto dizer que um violinista precisa de diversos violinos para tocar a mesma música".

Honoré de Balzac
(romancista francês)

Nações


Чорнобиль

Chernobyl significa artemísia, uma planta medicinal que entre nós, portugueses, é conhecida por erva de São João. - Não é, contudo, desta planta que agora vou escrever, mas do seu nome. - Relaciono-o com o discurso político recente para a eventualidade de vir a ser instalada em Portugal uma central nuclear para produção de energia em substituição do petróleo.
Chernobyl, cidade Ucraniana, perto da fronteira com a Bielo-Rússia, foi há vinte anos palco do maior acidente nuclear da história da humanidade. Prevê-se que a tragédia venha a provocar a morte a 200.000 pessoas em todo o mundo, segundo estudos científicos sobre o assunto.
É conhecido o risco que se corre com a opção por este tipo de produção energética. No passado verão em Espanha, por exemplo, a ala de uma das suas centrais teve de ficar completamente imobilizada devido ao aquecimento que água destinada ao arrefecimento dos reactores sofreu devido á temperatura do ambiente e que poderia provocar sobreaquecimento e posterior explosão.
São, também, conhecidos os elevados custos directos de produção que esta actividade acarreta para além de outros indirectos, como são, por exemplo, os inerentes á manutenção de um sofisticado sistema de segurança para prevenção de eventuais ataques terroristas. - Feitas as contas, há especialistas que chegam á conclusão que o preço final do produto não beneficia em nada o consumidor… antes pelo contrário.
O elevado número países com acidentes nucleares é conhecido; - Brasil, EUA, México, Japão, China, Marrocos, Inglaterra, Alemanha, Itália, entre outros.
No âmbito da saúde das populações pode-se contar com a sua degradação. - Degradação provocada pela consequente criação de zonas ambientais de poluição radioactiva
Temo que em Portugal não haja bom senso sobre esta matéria e não se reflicta profundamente sobre todos os potenciais riscos conhecidos avançando-se assim para a criação desta preocupante solução de energia em vez de se investir forte e seriamente nas alternativas ecológicas.
Estou a ficar preocupado… muito preocupado! - Por tudo isto quero dizer já e agora:

ENERGIA NUCLEAR EM PORTUGAL???
NÃO, NÃO E NÃO!!!

terça-feira, abril 25, 2006

Abril


Soltam-se as amarras


“A Vitoria é muitas vezes uma coisa a prazo e raramente
é o culminar da coragem.......
O culminar da coragem, penso eu, é a liberdade.
A liberdade que vem de saber-se que nenhum poder
no mundo é capaz de quebrar-nos;
Que um espírito inquebrantável é a única coisa
sem a qual não podemos viver;
que, no fundo, é a coragem da convicção que move o mundo,
que torna possíveis todas as mudanças.”


Extraído do livro do médico, pintor, músico e escritor Fernando Chiotte
(parafraseando Paula Giddings)