terça-feira, abril 18, 2006

Amor


"Nenhuma pessoa merece tuas lágrimas, e quem as mereça não te farão chorar"
Gabriel Garcia Marquez

segunda-feira, abril 17, 2006

Wilhelm Reich

Escuta, Zé Ninguém

O Tema de hoje refere-se ao título de um livro que li pela primeira vez há mais de vinte anos. Ainda hoje o desfolho e acabo invariavelmente por me fixar numa ou outras páginas, matando assim saudades de tão interessante literatura. Acho mesmo, na minha humilde opinião, que deveria ser lido por todo o ser humano, pela sua permanente actualidade, apesar de ter sido escrito no verão de 1946.
Aqui vai, então, quem foi o autor:
Wilhelm Reich, cientista e médico, nasceu em 1897 na Galícia que naquela altura pertencia ao Império Austro-Húngaro.
Escreveu o livro Escuta, Zé Ninguém para os arquivos do Instituto Orgone, que fundou, pois não havia o propósito de o publicar. A sua publicação ocorreu, no momento em que se questionava o encerramento do Instituto e até a sua destruição.
De pensamento inconformista, revolucionário e independente, W. Reich colocou-se na situação de pessoa não grata à esquerda e também foi abominado pela direita. Foi expulso do Partido Comunista, perseguido pelos nazis e até pelos democratas norte-americanos. Foi excluído do grupo de psicanalistas e acusado de charlatanismo.
Os problemas que teve com os poderes instituídos foram inúmeros. Confrontou e criticou, com o seu pensamento e a sua irreverência as instituições totalitárias e repressivas da época.
Escreveu diversos livros como: O Carácter Impulsivo; A Função do Orgasmo; Maturidade Sexual, Continência, Moral Conjugal; O Aparecimento da Moral Sexual; A Luta Sexual da Juventude; Psicologia de Massa do Fascismo; Análise do Carácter, entre outros.
Fez os seus últimos trabalhos de investigação e escreveu os seus últimos livros na sua pequena propriedade do Maine.
Foi julgado e condenado a dois anos de prisão, em Maio de 1956, nos Estados Unidos da América.
O apelo interposto à sentença foi recusado, Wilhelm Reich é preso em Março de 1957. Em Pensilvânia, na penitenciária de Ludwigburg, morre, em Novembro desse mesmo ano, de um ataque cardíaco.

domingo, abril 16, 2006

Leopardo


É preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma
Esta frase é, como é sabido, da autoria do escritor italiano, Giuseppe Tomaso di Lampedusa.
Frase que me foi parafraseada pela primeira vez na minha juventude. – Pretendia-se assim tipificar o comportamento político do estadista e ditador português, António de Oliveira Salazar.
Tenho actualmente 51 anos e desde então, aqui e ali, oiço a célebre frase, inevitavelmente dirigida à acção dos políticos.
Antigamente, a frase encaixava que nem uma luva. Salazar, líder de um regime autoritário, desenvolveu metodologias fascizantes que, iludindo-se a si mesmo, tentava enganar o Zé-Povinho. Recordo-me da greve da Carris em que poucos foram detidos e todos foram aumentados, vinte escudos no seu salário, e em que algum tempo depois “representantes dos trabalhadores” foram a São Bento agradecer ao ditador. Recordo-me também daquilo que foi a defesa intransigente da sua política colonialista que se consubstanciou numa política de isolamento internacional embora o que nos tenha sido transmitido tenha sido a defesa da unidade nacional sob o lema nacionalista “Orgulhosamente sós”. Lembro-me de tanta coisa… para além daquilo que o regime fazia e não era dada qualquer explicação… Recordo-me daquilo que foi, provavelmente, a maior humilhação infligida aos portugueses pelo regime e que antecedeu a sua queda. Refiro-me à substituição de Salazar por Marcelo Caetano. Salazar acabou por ser vítima da sua própria estratégia fascizante. - Adoeceu. Ficou incapacitado física e intelectualmente. Faleceu, anos depois. Não lhe deram a dignidade de saber que já não governava Portugal. Nunca ninguém o ousou fazer. – Os que com ele privavam diariamente fizeram-lhe crer que ainda continuava a governar.
Mas então e hoje?!
Porque motivo continuamos a ilustrar a actividade politica com a célebre frase “é preciso que…. para que tudo fique na mesma”?
Será que continuamos a assistir a políticas de disfarce?!
Bem,
Fizemos a revolução dos cravos…
Aprovámos uma Constituição (Lei fundamental da Republica) …
Aderimos à Comunidade Económica Europeia…
Consolidámos a Democracia… (de contrário seria impossível dizer o que aqui escrevo)
Ora, então se adoptámos aquelas premissas após o fim do regime Salazarista em que nada ficou na mesma, porque continuamos a proferir a célebre frase?!
… Prometo voltar ao assunto.